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Batalha de Guadalcanal : Uma das principais vitória dos Aliados na Guerra do Pacífico

Prof. Dr. Ricardo Pereira Cabral

Introdução

Uma das batalhas retratadas na minissérie The Pacific foi a Batalha de Guadalcanal. A Campanha de Guadalcanal está situada no contexto Guerra no Pacifico. A batalha foi realizada entre 7 de agosto de 1942 e 9 de fevereiro de 1943 na Ilha de Guadalcanal. Esta batalha foi uma das principais de todo Teatro do Pacífico e foi um ponto de inflexão para os Aliados contra o Império Japonês.

Neste ensaio, apesar de Guadalcanal ser conhecida como uma batalha, na verdade ocorreram várias, então achei por bem dar o título de Campanha. Neste sentido, vamos apresentar uma versão resumida dos vários eventos ocorridos durante a Campanha de Guadalcanal.

Em 7 de agosto de 1942, as Forças Aliadas constituída, predominantemente, por Fuzileiros Navais norte-americanos, desembarcaram em três ilhas: Guadalcanal, Tulagi e Flórida, localizadas no sul das Ilhas Salomão. O objetivo era conquistar as duas primeiras e usá-las como bases de apoio para uma futura campanha visando capturar ou neutralizar Rabaul, na Nova Bretanha, a principal base japonesa naquele teatro de operações. Os japoneses haviam tomado aquelas ilhas em maio de 1942. No fim de uma dura campanha os Aliados capturaram as três ilhas. Em Guadacanal estava em construção um campo de pouso denominado, posteriormente, como Campo de Henderson. Entre agosto e novembro as forças japonesas fizeram vária tentativas de retomar ou destruir o estratégico Campo de Henderson.

Os aliados tiveram que travar três grandes batalhas terrestres, sete grandes batalhas navais (cinco ações noturnas de superfície e duas batalhas de porta-aviões) e batalhas aéreas quase que diárias. Todas essas batalhas tiveram como ápice a decisiva Batalha Naval de Guadalcanal no início de novembro, que derrotou a última tentativa japonesa de bombardear o Campo de Henderson pelo mar e desembarcar tropas suficientes para reconquistá-lo. Em dezembro, após  esta sequência de derrotas, os japoneses desistiram de reconquistar Guadalcanal e com luta conseguiram retirararsuas forças.

O assalto anfibio

A Força-Tarefa da Torre de Vigia (The Watchtower Task-Force), estava constituída de 75 navios de guerra e transportes (de navios dos EUA e da Austrália). Em 26 de julho 1942, a Esquadra se reuniu próimo a Ilha dee Fiji e realizou um treinamento de desembarque antes de partir para Guadalcanal em 31 de julho. O comandante da força expedicionária aliada foi do vice-almirante americano Frank Fletcher, Comandante da Força-Tarefa 61 (nau capitânea era o porta-aviões USS Saratoga). No comando das forças anfíbias estava o contra-almirante norte-americano Richmond K. Turner. O General Alexander Vandegrift, comandante da 1ª divisão dos Fuzileiros Navais liderou a infantaria de 16.000 aliados (principalmente fuzileiros navais dos EUA) reservada para os desembarques.

Muito se elogia o planejamento e a capacidade logística norte-americana durante a Segunda Guerra Mundial, mas isso não foi bem assim,  as tropas enviadas a Guadalcanal tinham acabado de terminar o treinamento militar e estavam armadas com rifles Springfield M1903 de ferrolho e estavam levando um suprimento de munição, somente para 10 dias(?!!). Tal fato ocorreu devido à necessidade de colocá-los em batalha rapidamente, os planejadores da operação reduziram seus suprimentos de 90 dias para apenas 60. Os homens da 1ª Divisão de Fuzileiros Navais começaram a se referir à batalha que se aproximava como “Operação Shoestring” (operação sem os recursos necessários, suficientes ou adequados).

Entre 7 e 9 de agosto de 1942, a  1ª Divisão de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, divididos em dois grupos realizaram assaltos anfíbios nas ilhas de Gudalcanal, Tulagi, Gavutu e Tanambogo. Nestas três pequenas, ilhas próximas ao alvo principal (Guadalcanal), os marines travaram duas grande batalhas (Tulagi e Gavutu-Tanambogo) contra os japoneses, sofrendo muitas baixas. Em Guadalcanal, a resitência foi bem menor. As aeronaves japonesas, estacionadas em Rabul, atacaram as unidades navais norte-americanas provocando várias baixas, afundamento de navios e destruição de aviões.

Na noite 8 de agosto, após o ataque japonês, o Almirante Fletcher preocupado com as perdas de seus aviões de caça embarcados nos porta-aviões, a ameaça aos seus porta-aviões de novos ataques aéreos japoneses e com o nível de combustível de seus navios, retirou-se para as Ilhas Salomão. Como resultado da perda de cobertura aérea baseada em porta-aviões, o almirante Turner decidiu retirar seus navios de Guadalcanal, embora menos da metade dos suprimentos e equipamentos pesados ​​necessários para as tropas em terra tivessem sido descarregados. No entanto, Turner planejou descarregar tantos suprimentos quanto possível em Guadalcanal e Tulagi durante a noite de 8 de agosto e, em seguida, partir com seus navios em 9 de agosto. Esse fatos abateram o moral dos marines que se viram abandonados.

Batalha da Ilha Savo

Na noite de 8 para 9 de agosto de 1942, ocorreu a Batlha da Ilha Savo, enquanto os transportes descarregavam, dois grupos de cruzadores e destróieres Aliados, sob o comando do contra-almirante britânico Victor Crutchley  foram surpreendidos e derrotados por uma força japonesa constituída de sete cruzadores e um contratorpedeiro. Este força naval japonesa estava baseada em Rabaul e Kavieng, e era comandada pelo vice-almirante japonês Gunichi Mikawa. Nesta batalha, um cruzador australiano e três norte-americanos foram afundados, além disso  um cruzador e dois contratorpedeiros norte-americanos foram danificados. Os japponeses tiveram danos leves, mas apesar disso, preocupado com a cobertura aérea norte-americana dada pelos porta-aviões (não sabia que Fletcher havia se retirado), o Almirante Mikasa se retirou rapidamente e não destruiu os transportes, um erro estratégico fundamental.

As operações em terra

A ofensiva dos 11 mil fuzileiros navais acabou por tomar o campo de pouso em 12 de novembro e em 18 de novembro já estava operacional. Os fuzileiros sofreram com a disenteria e doenças tropicais, elevando o número de baixas. Entre 12 e 19 de novembro de 1942, os norte-americanos fizeram uma série de ações ofensivas na região do rio Matanikau, desalojando os japoneses.

Soldados japoneses mortos na batalha, parcialmente enterrados na areia pela maré.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_do_Tenaru#/media/Ficheiro:GuadTanaruDeadJapanese.gif

Em reação ao desembarque norte-americano em Guadalcanal, os japoneses enviaram tropas do 17º Exército Imperial Japones para reconquistar a ilha. Em 21 de agosto de 1942, teve inicio a Batalha de Tenaru. A ofensiva japonesa foi um fracasso e uma derrota fragorosa.

Batalha Naval das Ilhas Salomões Orientais

Entre 24 e 25 de agosto de 1942, ocorreu a Batalha Naval das Ilhas Salomões Orientais. O fracasso em Tenaru, levou o Almirante Isoroku Yamamoto reuniu uma força expedicionária muito poderosa. Seu objetivo era destruir qualquer unidade da frota americana na área e, em seguida, eliminar o Campo de Henderson, para isso enviou a Força de Porta-aviões comandada  pelo Almirante Chūichi Nagumo para o sul das Ilhas Salomão. A força de Nagumo incluía três porta-aviões e 30 outros navios de guerra. Yamamoto enviou o porta-aviões Ryūjō para chamar a atenção dos pilotos americanos. As aeronaves dos dois porta-aviões atacariam os americanos. Simultaneamente, as forças-tarefa de porta-aviões dos EUA sob Fletcher abordaram Guadalcanal para conter os esforços ofensivos japoneses.

Em 24 de agosto, as duas forças de porta-aviões lutaram. Os japoneses tinham dois porta-aviões Shōkaku e Zuikaku e o porta-aviões leve Ryūjō, totalizando 177 aeronaves. Já as forças norte-americanas tinham dois porta-aviões, o Saratoga e o Enterprise, com 176 aviões. Os dois porta-aviões japoneses não foram atacados. O USS Enterprise foi danificado. Ambas as frotas então evacuaram da área. Os japoneses perderam o Ryūjō, dezenas de aeronaves e a maior parte de sua tripulação, os norte-americanos perderam um punhado de aviões. O USS Enterprise ficou muito danificado e precisou de reparos por dois meses.

Em 25 de agosto, os japoneses renovaram o ataque, mas foram rechaçados pelas aeronaves baseadas no Campo Handerson. Posteriormente, os japoneses realizaram um novo ataque aéreo que causaram grande destruição. Neste mesmo dia, o porta-aviões USS Wasp chegou a área para dar cobertura aérea às tropas e ao campo de aviação. Estrategicamente, os japoneses tiveram a oportunidade de uma vitória decisiva, mas não conseguiram superar os norte-americanos, perderam o controle do mar e tiveram que restringir a movimentação dos seus navios à noite.

Quase que diariamente ocorriam batalhas aéreas entre os esquadrões de aviação estacionados no Campo Handerson (Cactus Air Force), com vantagem para os norte-americanos. Neste meio tempo, os Aliados continuamente reforçaram suas forças com tropas e aviões, fortalecendo suas posições e dando um suporte logístico as forças em luta, que até então não tinham recebido.

Campo Henderson

O Expresso de Tóquio

Apesar das limitações de circulação dos navios japoneses ntre 29 de agosto e 4 de setembro, cruzadores leves, contratorpedeiros e barcos-patrulha japoneses conseguiram desembarcar quase 5.000 soldados em Taivu Point, incluindo a maior parte da 35ª Brigada de Infantaria, grande parte do 4º Regimento e o resto do 28º Regimento de Infantaria. O general Kawaguchi, assumiu o comando de todas as forças japonesas em Guadalcanal. Um comboio de barcaças levou outros 1.000 soldados da 35ª Brigada de Kawaguchpara Kamimbo, a oeste do perímetro Lunga.

Batalha de Edson’s Ridge

Em 7 de setembro, Kawaguchi divulgou seu plano de ataque para “derrotar e aniquilar o inimigo nas proximidades do campo de aviação da Ilha de Guadalcanal”. O plano de ataque de Kawaguchi exigia que suas forças, divididas em três divisões, se aproximassem do perímetro Lunga para o interior, culminando com um ataque noturno de surpresa. A força de mil homens da 35ª brigada atacariam o perímetro do oeste, enquanto o Segundo Escalão, agora rebatizado de Batalhão Kuma, atacaria do leste. O ataque principal seria pelo “Corpo Central” de Kawaguchi, com 3.000 homens em três batalhões, da selva ao sul do perímetro Lunga. No entanto, uma patrulha encontrou e destruiu o principal depósito de suprimentos dos japoneses em Tasimboko e avisaram aos fuzileiros sobre a prensença das forças japonesas na ilha e da iminência de um ataque.

Cerca de 840 fuzileiro navais do 1º Batalhão de Incursores (uma força especial dos Marines) se posicionaram defensivamente em Edson’s Ridge. A crista, chamada Lunga Ridge, oferecia uma via natural de aproximação ao campo de aviação, comandava a área circundante e, na época, estava quase sem defesa. No ataque noturno, os japoneses romperam as linhas norte-americanas, mas foram replidos por outras unidades, bem como as sucessivas ondas de ataque, não resou saída aos japoneses senão a retirada. A derrota teve um impacto significativo na estratégia e nas operações japonesas em outras áreas do Pacífico. No Estado-Maior do Exército Imperial Japonês (EIJ) percebeu-se que Guadalcanal poderia se transformar em uma batalha decisiva. Uma batalha que não poderia ser perdida.

O comando do Teatro de Operações Aliado percebeu que os japoneses fariam uma nova ofensiva a fim de retomar Guadalcanal e se reforçaram enviando mais tropas, equipamentos e suprimentos. O USS Wasp, que escoltava o comboio, foi afundado pelo submarino japonês I-19, deixando apenas o USS Hornet para dar a cobertura aérea e oferecer escoltas aos comboios. O Expresso de Tóquio fez o mesmo levando mais tropas para reconquistar Guadalcanal, sem ser incomodado pelas forças navais norte-americanas.

Entre 23 e 27 de setembro, 6 e 9 de outubro e 9 e 11 de outubro, os fuzileiros mavais fizeram uma série de vitoriosos ataques e desembarques anfíbios a fim de destruírem as tropas remanescentes do General Kawaguchi, no perímetro de Luga, levando a um recuo dos japoneses e minando suas possibilidades ofensivas.

Batalha Naval de Cabo Esperança

O contexto dessa batalha naval noturna, está diretamente relacionada ao envio de reforços pelos japoneses por intermédio do Expresso de Tóquio, visando reconquistar Guadalcanal, e dos Aliados reforçando seus efetivos visando mantê-la. Foi uma das ações das marinhas aliadas visando impedir a livre movimentação da marinha japonesa à noite. Até então, a Marinha norte-americana ainda não havia tentado interditar quaisquer missões do Tokyo Express em Guadalcanal, os japoneses não esperavam nenhuma oposição das forças navais de superfície aliadas naquela noite

Entre 11 e 12 de outubro de 1942, um esquadrão aliado composto de dois cruzadores pesados, dois cruzadores leves e cinco contratorpedeiros detectou uma força japonesa composta de dois cruzadores pesados, um cruzador leve, oito contratorpedeiros e dois hidroaviões. Ao detectarem a força naval japonesa pelo radar, os norte-americanos abriram fogo afundando um cruzador e um contratorpedeiro, além de danificar gravemente outro contratorpedeiro. Os norte-americanos perderam um contratorpedeiro e tiveram outro danificado. Na manhã do dia 12 de outubro, os japoneses enviaram quatro contratorpedeiros tentaram resgatar as unidades danificadas do comboio e que estava em retirada, mas foram atacados por aviões da Força Aérea Cactus que afundaram dois contratorpedeiros.

A Batalha pelo Campo Henderson

A Marinha e o Exército Imperial Japonês fizeram aqui duas tentativas de tomar de tomar Guadalcanal e inutilizar o campo de aviação. Em 13 de outubro, foi realizada uma primeira ação foi enviar 4.500 homens do 16º e 230º Regimento de Infantaria para Tassafaronga. No dia seguinte, a fim de escoltar desviar a atenção dos norte-americanos e inutilizar a pista de pouso, os japonese fizeram um bombardeio naval no Campo Henderson com dois encouraçados, um cruzador leve e nove contratorpedeiros. Apesar dos estragos, poucas horas depois do bombardeio os norte-americanos reparam a pista e o campo de aviação voltou a operar. Os desembarques japoneses realizados nos dias 14 e 15 de outubro, foram feitos sobre forte ataque dos aviões norte-americanos, perdendo cerca de 30% de efetivos e equipamentos.

Entre os dias 23 e 26 de outubro de 1942, os japoneses lançaram sua ofensiva contra Guadalcanal. Os japoneses atacaram em duas frentes com um efetivo de 20 mil homens, o ataque principal vindo do sul e uma ação de diversão à oeste do Campo Henderson. Marines e tropas do Exército contavam com 23 mil homens, em posições defensivas preparadas. No dia 23 de outubro foi realizado um ataque diurno e em 24  e 25 de outubro, dois ataques noturnos, em 26 de outubro, foram realizados pequenos ataques até que a operação fosse cancelada devido ao grande número de baixas entre os japoneses. No total, os japoneses perderam de 2.200 a 3.000 soldados na batalha, enquanto os norte-americanos tiveram cerca de 80 mortos. Um desastre.

Batalha das Ilhas de Santa Cruz

Ao mesmo tempo que as tropas de Genral Hyakutake estavam atacando o perímetro de Lunga, porta-aviões japoneses e outros grandes navios de guerra sob a direção geral do almirante Isoroku Yamamoto se posicionaram perto do sul das Ilhas Salomão. O objetivo era engajar e derrotar decisivamente quaisquer forças navais aliadas, especialmente forças de porta-aviões, que iriam apoiar as forças norte-americanas em terra.

O poderoso esquadrão japonês era composto de 3 porta-aviões, 1 porta-aviões leve, 4 encouraçados, 8 cruzadores pesados, 2 cruzadores leves, 25 contratorpedeiros e 199 aviões. A Força-Tarefa norte-americana, comandada pelo Vice-Almirante William Bull F. Helsey Jr. Era composta por 2 porta-aviões, 1 encouraçado, 3 cruzadores pesados, 3 cruzadores leves, 12 contratorpedeiros e 136 aviões.

 A batalha ocorreu na manhã de 26 de  após uma troca de ataques aéreos com porta-aviões, os navios de superfície aliados foram forçados a recuar da área de batalha com o afundamento do USS Hornet e com o USS Enterprise fortemente danificado. No entanto, a força de porta-aviões japonesas não puderam aproveitar o êxito devido as grandes perdas de aeronaves e tripulações, além de terem sofrido danos significativos.

Embora tenha sido uma vitória tática para os japoneses, em termos de navios afundados e danificados, a perda de muitas tripulações veteranas proporcionou uma vantagem estratégica de longo prazo para os Aliados, cujas perdas de tripulações na batalha foram relativamente baixas. A partir dessa batalha, os porta-aviões japoneses não conseguiram desempenhar um papel significativo na campanha.

As últimas ações em terra

Apesar das derrotas os japoneses insistiram em empenhar recurosos na reconquista de Guadalcanal ao logo do mês de novembro, enviando reforços por intermédio do Expresso de Tóquio. No entanto, entre 1 e 18 de novembro de 1942, as forças norte-americanas (Fuzileiros Navais e do Exército) iniciavam uma série de ações ofensivas a fim de expulsar o restante das tropas japonesas de Guadalcanal. Os combates seguiram até em janeiro, com os japoneses sofrendo grande perdas de efetivos, devido aos ataques. Mas também devido a degradação da sua capacidade de resistência devido aos escassos suprimentos e a debilidade provocada por doenças tropicais.

Batalha Naval de Guadalcanal

O Exército Imperial Japonês planejou uma nova ofensiva e solicitou a Mariha Imperial que levasse os reforços para uma nova ofensiva. O plano japonês era realizar um bombardeio naval noturno em 11 e 12 de novembro para facilitar o desembarque das tropas.

No entanto, a movimentação dos japoneses foi percebida por ama força naval norte-americana constituída por dois cruzadores pesados, três cruzadores leves e oito contratorpedeiros. Estes atacaram a escolta do comboio japonês, constituído por 2 encouraçados, 1 cruzador leve e 11 contratorpedeiros. Na escuridão total, as duas forças navais se misturaram antes de abrir fogo em locais incomumente próximos. Na confusão resultante, os navios de guerra japoneses afundaram ou danificaram gravemente quase todos os navios norte-americanos, exceto um cruzador e um contratorpedeiro. Dois destróieres japoneses foram afundados e outro contratorpedeiro foram fortemente danificados. Apesar da derrota da força naval norte-americana os navios de guerra japoneses se retiraram sem bombardear o Campo de Henderson, o que levaria ao atraso da envio de reforços.

Em 14 de novembro, outra força naval japonesa atacou o Campo de Henderson, sendo atacada pelos aviões do USS Enterprise e do Campo Henderson que afundaram 1 cruzador pesado e vários transportes. Naquela mesma noite, os japoneses resgataram suas suas tropas, no dia seguinte os aviões norte-americanos continuaram atacando as forças e os comboios japoneses inviabilizando a nova tentativa de ataque nipônico.

Batalha de Tassafaronga

Como estamos constatando, apesar dos esforços e recursos utilizados, o problema do envio de suprimentos para as tropas japoneses em Guadalcanal prosseguia. Os japoneses utilizavam todos os meios disponíveis como submarinos e contratorpedeiros. A supremacia aérea norte-americana era o principal entrave para o êxito dessa missão.

O EIJ e a MIJ resolveram, mais uma vez, enviar mais navios para proteger os comboios do Expresso de Tóquio. Neste sentido, foi enviado uma força naval constituída por 8 contratorpedeiros (2º Esquadrão de Contratorpedeiros da 8ª Frota), comandada pelo Almirante Raizo Tanaka. Alertado pela inteligência que havia quebrado os códigos secretos japoneses o Almirante Halsey criou a Força-Tarefa 67 constituída de 4 cruzadores pesados, 1 cruzador leve e 6 contratorpedeiros, comandada pelo Contra-almirante Carleton Wright.

Na noite de 30 de novembro de 1942, a FT 67 localizou o 2º Esquadrão, mas não o atacou de imediato, permitindo que o Esquadrão japonês escapasse com o afundamento de apenas 1 contratorpedeiro. No entanto, os japoneses em sua fuga lançaram 44 torpedos contra os norte-americanos provocando o afundamento do cruzador leve e danos significativos em outros três cruzadores pesados. No início de dezembro, os japoneses ainda insistiram em enviar suprimentos, mas acabaram perdendo mais um contratorpedeiro. As forças em terra continuavam com sérios problemas: sofriam com doenças tropicais, poucos suprimentos médicos e munição, mal nutrição, a situação estava insustentável.

Diante de tantas perdas, no início de dezembro o Estado-Maior do EIJ resolveu se retirar de Guadalcanal e constituir uma nova linha de defesa nas Ilhas Salomão e uma mudança de prioridade para conter o avanço Aliado na Nova Guiné.

Em dezembro o Exército dos Estados Unidos e unidades do Corpo de Fuzileiros Navais substituíram as tropas que estavam em combate desde o início de agosto. Com novas tropas, os norte-americanos lançaram uma ofensiva contra as concentrações de tropas japonesas.

No início de janeiro, a MIJ deu início a Operação Ke, com o objetivo de retirar as tropas ainda instaladas em Guadalcanal. As ações se estenderiam até o início de fevereiro, e obtiveram um relativo sucesso. Durante a evacuação os norte-americanos perderam um cruzador pesado e um contratorpedeiro contra um contratorpedeiro dos japoneses. Um acontecimento interessante, foi que os norte-americanos interpretaram a intensa movimentação de navios japoneses como uma nova ofensiva contra Guadalcanal e se preparam para isso tomando uma postura defensiva, o que facilitou a retirada japonesa.

Conclusões

A batalha de Guadalcanal terminou com um saldo de 7.100 mortos e 7.789 feridos norte-americanos para um total de 60 mil homens empenhados em combate. Os norte-americanos tiveram afundados 2 porta-aviões, 6 cruzadores, 14 contratorpedeiros e 615 aeronaves. Dos 36.000 japoneses que lutaram em Guadalcanal e nas ilhas próximas, aproximadamente, 19.200 foram mortos, 8.500 em combate e 10.700 por doenças, cerca de 13 mil, foram evacuados. Com relação as forças navais, os japoneses perderam um porta-aviões leve, 2 encouraçados, 3 cruzadores pesados e 1 leve, 13 contratorpedeiros e 683 aeronaves. Perdas menores em relação aos norte-americanas, mas muito difíceis de serem repostas. Outra vantagem estratégica norte-americana de longo prazo.

Com a Campanha de Guadalcanal praticamente se encerrou a fase de operações defensivas bem-sucedidas dos Aliados que se iniciara na Batalha do Mar de Coral e na Batalha de Midway, travadas em maio e junho de 1942. A campanha de Guadalcanal e as batalhas em Milne Bay e Buna – Gona, marcaram para os Aliados, a transição das operações defensivas para as ofensivas. Estes passaram então a deter a iniciativa estratégica no Teatro do Pacífico contra o Império Japonês.

Guadalcanal se tornou o principal ponto de apoio a etapa seguinte da Guerra no Pacífico, o assalto às Ilhas Salomão e colaboraram paras as operações em conjunto desenvolvidas com os australianos na Nova Guiné.

Sites consultados

https://www.britannica.com/event/Battle-of-Guadalcanal

– David Alan Johnson. The Eastern Solomons: Death Struggle Off Guadalcanal. https://warfarehistorynetwork.com/2016/08/22/the-eastern-solomons-death-struggle-off-guadalcanal/

https://en.wikipedia.org/wiki/Guadalcanal_campaign#Aftermath

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Imagem de Destaque: Desembarque dos Fuzileiros Navais norte-americanos em 7 de agosto de 1942 –https://www.oarquivo.com.br/temas-polemicos/historia/246-batalha-de-guadalcanal.html

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