Cerco de Tsingtao: A derrota alemã na China

de

Prof. Esp. Pedro Silva Drummond

Introdução

Durante o século XIX, o Japão se transformava enquanto País, durante esse período os japoneses passavam pela Era Meiji, que consistia em uma mudança tecnológica, industrial e militar dentro do País. No aspecto militar, o Japão se expandia para os países vizinhos, ainda no mesmo século e no seguinte, Coréia e China, enfrentaram guerras contra os nipônicos.

No caso da China, o Japão enfrentava uma disputa territorial com Nações europeias que controlavam determinadas regiões. Desde o final do século XIX, uma dessas potências era a Alemanha que conquistava diversos território na África e Ásia, no caso específico do território chinês, os alemães conseguiram controlar a região de Tsingtao e o seu porto. 

A disputa entre Japão e Alemanha na China, envolveu outra Nação importante, Grã-Bretanha. Os ingleses que tinham um grande interesse em relação ao território chinês, enxergavam nos alemãs uma ameaça aos seus interesses, e desde 1902, criaram uma aliança com o Japão, que contribuiu para que japoneses e britânicos se unissem em um conflito contra a Alemanha, no que ficou conhecido como o Cerco de Tsingtao.

Chegada das tropas britânicas em Tsingtao.
https://es.wikipedia.org/wiki/Batalla_de_Tsingtao

Cerco de Tsingtao

O Cerco de Tsingtao ocorreu pelo fato das Nações envolvidas terem interesse na região. Os Japoneses enxergavam a oportunidade de aumentar o controle sobre a China, enquanto os britânicos de diminuir a expansão alemã sobre o continente asiático.

O início da Primeira Guerra Mundial, foi a ocasião necessária para que britânicos e japoneses precisavam para realizar seus objetivos. Poucos dias após o início da Grande Guerra “o Japão emitiu um ultimato exigindo que a Alemanha cedesse o porto de Tsingtao. Berlim recusou categoricamente. O Kaiser Wilhelm II fez da defesa de Tsingtao uma prioridade máxima, dizendo que “me envergonharia mais entregar Tsingtao aos japoneses do que Berlim aos russos””. (DODMAN)

Bateria Japonesa em Tsingtao, outubro de 1914
https://www.nam.ac.uk/explore/siege-tsingtao

Após alguns dias da Alemanha se recusar a entregar Tsingtao, “20.000 soldados japoneses, armados com mais de 140 peças de artilharia, desembarcaram e, em conjunto com seus navios de guerra de apoio, iniciaram um bombardeio do porto. A Grã-Bretanha, desconfiada das intenções de seu aliado na região, decidiu enviar uma força naval e 1.500 soldados sob o comando do major-general Nathaniel Barnardiston para apoiar a operação e ficar de olho nos procedimentos. A maior parte das tropas consistia no 2º Batalhão The South Wales Borderers e um destacamento do 36º Sikhs.” (https://www.nam.ac.uk/explore/siege-tsingtao)

Soldados japoneses, South Wales Borderers e Sikhs, outubro de 1914
https://www.nam.ac.uk/explore/siege-tsingtao

As tropas alemãs, mesmo em desvantagem, aproximadamente 4 mil homens, resistiram por mais de dois meses, até a sua rendição no dia 7 de novembro. No fim do conflito, “Os alemães perderam 493 vítimas (199 mortos), além de cerca de 3.600 prisioneiros. Os relatórios da inteligência alemã estimaram as perdas dos Aliados em “pelo menos 12.000 baixas”, um exagero absurdo ainda repetido em documentos alemães. O exército japonês sofreu 1.900 baixas (415 mortos). A Marinha perdeu o cruzador leve Takachiho, o contratorpedeiro Shirotaye, um barco torpedeiro e 2 pequenos caça-minas, com cerca de 400 baixas (cerca de 300 mortos).” (DENIS)

Prisioneiros alemães em Tsingtao, novembro de 1914
https://www.nam.ac.uk/explore/siege-tsingtao

Conclusão

O Cerco de Tsingtao mesmo ocorrendo durante a Primeira Guerra Mundial, fez parte de um contexto que vinha ocorrendo desde o século XIX, como o Imperialismo Europeu e a expansão japonesa no Continente Asiático. O conflito ocorrido em Tsingtao, faz parte de um período de grandes vitórias militares japonesas sobre asiáticos e europeus. 

No aspecto militar, o Cerco de Tsingtao, teve uma grande importância. Durante o conflito ocorreu “o primeiro ataque aéreo lançado de um navio, o primeiro ataque aéreo noturno e o uso de táticas que anteciparam aquelas usadas posteriormente na guerra. Os métodos de cerco japoneses, uma repetição dos usados ​​em Port Arthur durante a Guerra Russo-Japão (1904-05), eram muito admirados pelos britânicos. O comandante japonês, general Kamio Mitsuomi, empreendeu ataques noturnos e evitou os custosos ataques frontais do tipo visto nas primeiras batalhas na Frente Ocidental . Em vez de desperdiçar homens, ele usou seus obuses pesados ​​para amaciar o inimigo enquanto avançava gradualmente em suas trincheiras.” (https://www.nam.ac.uk/explore/siege-tsingtao).

O uso da aviação no Cerco de Tsingtao foi mais relevante para a história do que para o conflito. A Primeira Guerra Mundial é justamente um dos primeiros conflitos que ocorreram com o uso de aviões como máquina de guerra, como explica o autor do livro “The Siege of Tsingtao”: “Eles não foram particularmente eficazes, mas tiveram um impacto psicológico e certamente foram altamente inovadores” (DODMAN)

A vitória japonesa sobre a Alemanha e a conquista de territórios no Pacifico, durante a Primeira Guerra Mundial, contribuíram para os fatos que levaram os nipônicos a participarem da Segunda Guerra Mundial contra principalmente os Estados Unidos no Pacifico.

Imagem de Destaque: Soldados japoneses em Tsingtao – https://es.wikipedia.org/wiki/Batalla_de_Tsingtao

Referência Bibliográfica

– DODMAN, Benjamim. O cerco de Tsingtao: como a Alemanha rendeu um império – e uma cerveja. Disponível em: <https://www.france24.com/en/20141107-siege-tsingtao-how-germany-lost-empire-left-beer-qingdao-world-war-one-japan>. Acessado em: 18/05/2023.

– DENIS, Colin. Campanha Tsingtao: Japão na Grande Guerra; Diplomacia e Política Interna. Disponível em: <http://www.gwpda.org/naval/tsingtao.htm>. Acessado em: 18/05/2023.

– https://www.nam.ac.uk/explore/siege-tsingtao

Especialização em História Militar pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), Graduação em História (Bacharel e Licenciatura) pela Universidade Gama Filho (UGF), autor de Artigos em História Militar.

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