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Filme: Afundem o Bismark

Prof. Dr. Ricardo Pereira Cabral 

Filme britânico, em preto e branco, produzido por John  Brabourne, dirigido Lewis Gilbert com o roteiro de Edmund H North a partir do livro “Os últimos nove dias do Bismark” de C. S, Forester. Estrelado Kenneth More e Dana Wynter.

Enredo

Em maio de 1941, a inteligência naval britânica descobre que o encouraçado Bismarck e o cruzador pesado Prinz Eugen estão navegando em direção ao Atlântico Norte para atacar os comboios aliados. Para coordenar a caça ao Bismarck é designado o capitão Jonathan Shepard (Kenneth More), que coordena as ações de uma sala de situação (ou de guerra) subterrânea em Londres. Ao receber este o posto, Shepard logo descobre que o Almirante Günther Lütjens (Karel Štěpánek) é o comandante do esquadrão. A experiência de Shepard na luta contra a Kriegsmarine e sua compreensão das concepções táticas e estratégicas de Lütjens, lhe permitem prever os movimentos do esquadrão alemão.

O encouraçado Bismark deslocava 50 mil ton, tinha um comprimento de 251 m, motores 12 caldeiras Wagner e 3 turbinas a vapor, atingia uma velocidade de 30 nós, tinha uma autonomia de 8.870 mn a 19 nós, a blindagem era de 320 mm, nas torres era de 360 mm e nos conveses de 50 a 120 mm. O armamento principal era de 8 canhões de 380 mm, 12 canhões de 150 mm, 16 canhões antiaéreos de 37 mm e 12 de mm. Possuía 4 hidroaviões Arado Ar 196 e levava 2.200 tripulantes.

Voltemos ao roteiro. No Atlântico Norte, o Bismarck e o Prinz Eugen são interceptados pelo cruzador de batalha HMS Hood e pelo encouraçado HMS Prince of Wales, no Estreito da Dinamarca. A batalha que se segue resulta no afundamento do HMS Hood. John Leach, capitão do Prince of Wales, informa ao Almirantado que HMS Hood explodiu. Agora Prince of Wales está sozinho lutando contra os dois navios alemães, mesmo em desvantagem, o consegue infligir danos ao Bismarck que revida, destruindo a ponte do Príncipe de Gales, que é forçado a se retirar da batalha.

O cruzador de batalha HMS Hood deslocava 47.430 ton, tinha um comprimento de 262 m, motores 24 caldeiras e 4 turbinas a vapor, velocidade de 3 nós, autonomia de 7.500 mn a velocidade de 14 nós, ablindagem era de 152 a 302 mm, no convês de 19 a 76 mm, nas torres de artilharia de 279 a 381 mm, a torre de comando 229 a 279 mm. O armamento principal era dde 8 canhões de 381 mm, 14 canhões de 102 mm, 100 lança-foguetes e 4 tubos de torpedo de 533 mm.

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O Bismarck e o Prinz Eugen seguem seu rumo, sendo seguidos pelos cruzadores HMS Suffolk e HMS Norfolk no alcance do radar. Mais a frente, o Prinz Eugen se separa e segue em direção ao porto de Brest, na França ocupada, enquanto o Bismarck se vira e atira nos cruzadores britânicos dando cobertura ao Prinz Eugen em sua nova rota. O ataque força os cruzadores a recuar. Um ataque aéreo do porta-aviões HMS Victorious danifica os tanques de combustível do Bismarck, mas o navio está praticamente intacto, apesar da pera de combustível.

HMS Vitorius, deslocava 28.619 totalmente carregado, propulsão 6 caldeiras e 3 turbinas a vapor, que lhe davam uma velocidade máxima de 32 nós, tinha um alcance de 11 mil mn a 14 nós, possuía vários armamentos antiaéreos, e levava 36  aviões Fulmat ou Albacore.

Fairey Fulmar Mk II N4062
Fairey Albacore

De volta à sede de operações em Londres, o capitão Shepard aposta que Lütjens está retornando à águas protegidas, onde os submarinos e a cobertura aérea tornarão impossível o ataque, então ele planeja interceptar e atacar o Bismarck antes que ele alcance a segurança. Shepard compromete uma força desproporcionalmente grande na busca do encouraçado alemão colocando em risco outras operações. Sua aposta se mostra correta quando Bismarck é localizado, aparentemente navegando em direção à costa francesa. As forças britânicas têm uma janela estreita para destruir ou retardar o encouraçado alemão antes que entre na zona de proteção oferecida pelos U-bootes e a Luftwaffe. Os aviões-torpedeiros Swordfish do HMS Ark Royal têm duas chances. O primeiro ataque, falha quando os pilotos identificam erroneamente o HMS Sheffield como Bismarck, mas felizmente os novos detonadores de torpedos magnéticos estão com defeito, com a maioria explodindo assim que atingem o mar. Voltando ao porta-aviões e mudando para espoletas de contato convencionais, seu segundo ataque, desta vez ao “verdadeiro” Bismarck, é bem sucedido. Bombardeiros-torpedeiros Fairey Swordfish lançam seu ataque, um torpedo causa apenas danos menores; mas o segundo torpedo detona perto da popa, emperrando o leme do encouraçado alemão, diminuindo drasticamente sua velocidade.

HMS Ark Royal, deslocava 27.720 totalmente carregado, propulsão 6 caldeiras e 3 turbinas a vapor, que lhe davam uma velocidade máxima de 30 nós, tinha um alcance de 7.600 mn a 20 nós, possuía vários armamentos antiaéreos, e levava 26 Fairey Swordfish e 24 Blackburn Skuas

Incapaz de reparar seu leme, Bismarck navega em círculos. Durante a noite, dois contratorpedeiso britânicos o atacam disparando torpedos e um atinge o alvo. O Bismarck responde ao fogo, afundando o destróier HMS Solent. Na manhã do dia seguinte, a força principal dos navios britânicos (incluindo os encouraçados HMS Rodney e HMS King George V) encontram Bismarck e o atacam. Lütjens em seus momentos finais insiste com capitão Lindemann que as forças alemãs chegarão para salvá-los, mas ele morre quando uma granada destrói a ponte de comando do Bismarck. Pouco depois, os oficiais restantes da ponte são mortos por outra granada. A tripulação abandona o navio, que estava afundando. A bordo do Rei George V, o Almirante Tovey ordena que o cruzador HMS Dorsetshire acabe com o Bismarck. O cruzador dispara uma salva de seis torpedos no encouraçado alemão severamente danificado. Quatro torpedos atingem o alvo, fazendo com que o navio afunde mais rápido do que a tripulação possa escapar. Wilfrid Patterson, capitão do HMS King George V, abaixa a cabeça enquanto Bismarck desaparece sob as ondas. O almirante ordena ao HMS Dorsetshire que pegue os sobreviventes restantes, finalmente dizendo concisamente: “Bem, senhores, vamos para casa”.

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Produção e roteiro

CS Forester supostamente escreveu o roteiro para a 20th Century Fox antes mesmo de escrever o livro e se destinava a um filme. O roteirista Edmund H. North trabalhou com a história (aqui seria o argumento) de Forester, comprimindo eventos e a linha do tempo para tornar o enredo tenso. North e Gilbert (o diretor) decidiram filmar em um estilo que desse a impressão de que a platéia estava assistindo a um documentário. Alternando o cenário da sala de guerra onde são emitidos os comandos para os navios de guerra que a executam, a cãmera explora o ambiente de tensão na apenas aparente calma da sala de guerra. Com essa técnica, a ação tornou-se mais realista, quando os homens em um jogo de inteligência e nervos estão envolvidos, como em uma partida de xadrez, em uma luta pela vida. O uso do locutor Edward R. Murrow reprisando suas transmissões durante a guerra, procura criar uma atmosfera de autenticidade e sensação de que estamos assistindo a filmagens feitas durante a ação, como em um documentário. Os créditos do filme identificam o Diretor de Operações como Capitão R. A. B. Edwards e Capitão Shepard como fictícios. A interação Shepard-Davis adicionou a dimensão humana ao enredo.

A produção pode contar com a parceria da Royal Navy e do Royal Navy Historic Flight, várias tomadas foram feitas em navios remanescentes da época que estavam passando apra a reserva naquele momento. Filmes da época também foram utilizados conferindo maior realismo. Esta técnica será usada em muitos filmes subsequentes. O filme foi produzido em 1960, e os efeitos especiais, são muito bons para a época, a fotografia em preto e branco é muito bem explorada para criar um clima de realidade.

Como não podia deixar de acontece em um filme tão complexo, alguns erros de continuidade são percebidos somente por especialistas no assunto e claro temos o uso da licença poética para dramatizar os eventos mostrado no filme, existem também eventos que não ocorreram ou que não ocorreram da maneira como foi mostrada, uma opção da direção..

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O autor do livro e do argumento incial era Cecil Scott Forester, historiador, escritor, novelista e roteirista britânico, radicado nos Estados Unidos, autor de várias obras de sucesso a  época como a série Hornblower, novelas que se tornaram filmes de sucesso como The African Queen, Commandos Strike Down, Sailor of The Queen entre outros.

Um dos pontos mais interessantes do filme e que é tratado au passant, é sobre a “inteligência britânica”. Na verdade o trabalho de Bletchley Park era muito pouco conhecido e ainda estava sob o véu do sigilo.

O filme foi criticado por retratar o almirante alemão Günther Lütjens como um simpatizante do nazismo, algo que não era, muito pelo contrário, era crítico do regime. Tão pouco Lütjens tinha esperança em concluir com sucesso a missão recebida, estava muito pessimista que o Bismark conseguisse superar os numerosos encouraçados britânicos.

O filme também não aborda outras questões polêmicas: o disparos de torpedos e canhões já quando o encouraçado alemão já estava afundando e o fato dos ingleses não terem se empenhado em resgatar os náufragos do Busmark sob alegação (infundada) que poderia haver submarinos alemães na área.

O livro e o DVD vocês poderão encontrar na Estante Virtual ou no Mercado Livre.

Sites consultados

https://www.britannica.com/topic/Bismarck-German-ship

https://en.wikipedia.org/wiki/Sink_the_Bismarck!

https://www.youtube.com/watch?v=6ZDVFD8olIY

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