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Gertrude Bell: a guerra secreta no Oriente Médio

Prof. Dr. Thiago da Silva Pacheco

Gertrude Bell foi a primeira mulher a se formar em primeiro lugar em História Moderna em Oxford, e era uma apaixonada pelo Oriente Médio, então um grande mistério para os europeus.

Atuando também como arqueóloga, a historiadora explorou e mapeou detalhadamente a região. Era fluente em árabe, persa hebraico, turco e nos dialetos locais, os quais conhecia tão bem como os costumes dos beduínos, camponeses e pastores com os quais convivia, fazia pousada e caminhava no lombo de camelo em seus estudos de campo.

Com a chegada da guerra, os ingleses estavam apreensivos em relação a qual seria a posição dos turcos e quais suas capacidades de combate. Criaram, assim, o Gabinete Árabe, a fim de produzir Inteligência referente a esta questão.

Gertrude Bell era tida como a estrela do gabinente, e alertou que os turcos iriam se aliar ao alemães, embora seu equipamento fosse ultrapassado.

Foi também dela a idéia de apoiar a Revolta Árabe e usar as tribos árabes locais como informantes e guerrilheiros atrás das linhas inimigas. Os ingleses não apenas acataram as sugestões de Gertrude, como ela recebeu o soldo de major e foi designada para atuar junto a ninguém menos que T. E. Lawrence, o famoso “Lawrence da Arábia”, tenente-coronel conhecido pelas façanhas de guerrilha naquele teatro de operações.

Tristemente, após as vitórias, os ingleses pararam de ouvir Gertrude. Ela alertava, e o futuro deu-lhe razão, que a divisão artificial do Império Otomano geraria problemas devido a reivindicação nacionalista árabe, e as promessas vazias aos sionistas seria uma bomba relógio para a Inglaterra.

Depois da guerra, entristecida pelo que se dava no Oriente Proximo que tanta amava, Gertrude Bell cometeu suicídio.

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