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Guerra do Toyota: Como um veículo foi essencial em uma Guerra

Prof. Esp. Pedro Silva Drummond

A Guerra do Toyota (1986-1987) foi uma guerra no Continente Africano, com a participação da Líbia, Chade e França. A Guerra é assim chamada por causa da utilização em massa de caminhonetes da marca Toyota, nesse conflito.

Chade é uma Nação extensa e desértica, que faz fronteira com a Líbia. A Guerra do Toyota foi à última batalha entre as nações envolvidas no conflito. Os combates tiveram início pelo controle da Faixa de Aouzou. A região era objeto de interesse devido aos seus depósitos de urânio, provocando os primeiros conflitos, em 1973.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Toyota#/media/Ficheiro:Map_of_Aouzou_stip_chad.PNG

No ano de 1976, a Líbia dominou oficialmente a Faixa de Aouzou e durante o período de dominiação, o governte Líbio, Muammar Al-Gaddafi, construiu autoestradas e uma base aérea em Ouadi Doum, em 1985. Durante o período de conquista Líbia, os líbios tinham por volta de 7.000 soldados, 300 tanques e 60 aviões de combate.

No início de 1986 a GUNT (Governo de Transição de Unidade Nacional), que era oposição ao presidente do Chade, Hissène Habré, e tinha o apoio da Líbia tentou tomar as principais regiões do Chade. O resultado dessa ofensiva foi negativa para a GUNT, as Forças Armadas Nacionais do Chade, que tinham recebido o apoio da França, através da Operação Falcão, provocou o recuo das tropas invasoras.

Os chadianos utilizaram durante todo o período do conflito, táticas de guerrilha para lutar contra os líbios, usando a maior velocidade e maior capacidade de manobra dos automóveis da Toyota, contra veículos blindados do exercito líbio. O objetivo era concentrar seu poder de fogo em um único local por ataque. O exercito líbio no período da Guerra dos Toyota que tinha a ajuda militar soviética, era composta por “8.000 soldados, 300 blindados (na sua maioria T-55 soviéticos), grande número de peças de artilharia, caças MiG-23, MiG-25 e Mirage , helicópteros Mil Mi-24 e bombardeiros pesados Tupolev Tu-22.” (https://aquellasarmasdeguerra.wordpress.com/2013/07/22/algunas-armas-utilizadas-en-la-guerra-de-los-toyota-1986-1987/).

Lider Libio Muammar al-Gaddafi (Esquerda) e Presidente de Chade Hissène Habré (Direita).
https://aquellasarmasdeguerra.files.wordpress.com/2013/07/muamar-el-gadafi-habre.jpg

A Guerra teve em um dos seus momentos decisivos, no dia 02 2 de Janeiro de 1987, quando o general chadiano Djamous, impôs uma grande derrota aos líbios, como explica Carlos Javier Frías Sánchez  ”Hassan Djamous observava com os seus binóculos as fortificações que protegiam os pesados carros de combate T-55 e T-62 do exército líbio, na base de Fada, a Norte do Chade, em pleno deserto do Saara. Sentinelas líbios, refugiados atrás das fortificações e campos de minas que protegiam a base, não tinham detetado os chadianos: o último relatório de inteligência situava-os a centenas de quilômetros ao sul… (Hassan Djamous) apoiado na cabine do seu pick-up Toyota Hilux, que ainda mantinha a sua pintura civil, fez um gesto para o seu artilheiro, que respondeu com uma longa rajada de sua metralhadora KPV de 14,5 mm, dirigida para o céu… Apenas instantes depois, a partir de todos os pontos cardeais, um dilúvio de traçadores dirigia às posições líbias iluminando a noite. Ao lado das metralhadoras de 14,5 mm e 12,7 mm, se distinguiam as trajetórias mais tensas das munições dos canhões de 23 mm. Quase imediatamente, os rastros dos mísseis Milan uniram-se à tempestade de fogo, e os primeiros carros líbios começaram a explodir… os soldados líbios, surpresos, não chegaram a reagir de forma coerente e apenas alguns tiros esporádicos e imprecisos saíam das posições líbios. Após pouco mais de vinte minutos de fogo sobre as posições líbias, o General Djamous ordenou que sua infantaria avançasse. Pequenos grupos de infantes, armados com o omnipresente AK-47 Kalashnikov, dirigiram-se para as castigadas posições líbias, seguidos a curta distância pelos Toyotas, que continuaram atirando através dos intervalos que os fuzileiros deixavam… ao alcançar as primeiras linhas líbias, os Toyotas pararam de disparar, e os fuzileiros começaram a procurar sobreviventes na base… Se algum veículo líbio se movesse, ele se converteria imediatamente em branco das armas pesadas dos Toyotas… Poucas horas depois, o General Djamous fazia balanço da batalha: 781 soldados líbios tinham morrido, 82 tinham sido presos; não se preocupou em contar os mortos entre as centenas de milicianos chadianos do rebelde Gukuni Uedei, aliado dos líbios: entre eles não houve prisioneiros. Quanto ao material, 92 carros T-55 e T-62 foram destruídos e 13 deles tinham sido capturados; 33 veículos Navios de transporte BMP-1 e BTR-70 também  oram destruídos e 29 outros capturados, juntamente com artilharia, morteiros… Excelente balanço para ter perdido 18 mortos, 54 feridos  e só três Toyotas, da sua força de 3.000 Homens e 400 pick-ups.” (Traduzido de Sànchez, Carlos Javier Frías. La Guerra de los Toyota, 2016, p.32)

Os meios utilizados para o ataque do general Djamous sobre a base de Fada, demonstra uma tática utilizada através de meios precários, mas eficazes, “se baseando na mobilidade e poder de fogo como elementos fundamentais, mas também na surpresa, na austeridade logística e na utilização dos meios civis.” (Traduzido de Sànchez, Carlos Javier Frías. La Guerra de los Toyota, 2016, p.32).

A Guerra dos Toyotas é um dos conflitos que fazem parte do contexto da Guerra Fria e pouco conhecida.

Imagem de Destaque: https://aquellasarmasdeguerra.files.wordpress.com/2013/07/guerra-de-los-toyota-zu-23.jpg

Bibliografia

Sànchez, Carlos Javier Frías. La Guerra de los Toyota. Revista Ejército, nº 906, 2016.

Algunas armas utilizadas en la guerra de los Toyota (1986-1987). Disponível em: https://aquellasarmasdeguerra.wordpress.com/2013/07/22/algunas-armas-utilizadas-en-la-guerra-de-los-toyota-1986-1987

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