O 761º Batalhão de Tanques: os Panteras Negras

de

Prof. Dr. Ricardo Pereira Cabral

O 761º Batalhão de Tanques, conhecidos como os Panteras Negras, era uma unidade segregada, composta, principalmente, por soldados afro-americanos, que lutou com o III Exército, do General George C. Patton, durante a Segunda Guerra Mundial. A unidade foi considerada um dos batalhões de blindados mais eficientes da guerra. Os membros da unidade receberam uma Menção Presidencial por suas ações, 1 Medalha de Honra do Congresso, 11 Estrelas de Prata e cerca de 300 Medalhas Corações Púrpura.

A criação do 761º e seu treinamento

A eclosão da Segunda Guerra Mundial, encontrou as principais lideranças militares dos  Estados Unidos divididas quanto ao emprego de afro-americanos em combate. O general Lesley J. McNair, chefe do Estado-Maior do Exército norte-americano, era o principal responsável por mobilizar, organizar, equipar e treinar o Exército para a guerra., diante do fato de empregar ou não afro-descendentes MacNair foi enfático na defesa de criação de unidades, a princípio segregadas. A questão ganhou apoio popular e do Congresso.

Em 15 de março de 1942, o 761º foi constituído e em 1º de abril de 1942, no Camp Claiborne, Louisiana, foi ativado. O batalhão começou a treinar nos tanques leves M5 Stuart, onde foram instruídos em tudo que se referia ao combate com blindados: manobrar, montar, desmontar e fazer a manutenção do canhão principal de 37 mm, das metralhadoras calibre .30 e do veículo. O treinamento final foi em Fort Hood, Texas, onde receberam o  blindado médio M4 Sherman, mais potente, que tinha arma principal um canhão de 75 mm, 2 metralhadorasre .30, 1 metralhadora .50 e um morteiro de fumaça de 2”.

No sul dos Estados Unidos estavam em vigos leis segregacionistas e disciminatórios. Se ambiente externo era desafiador, dentro do Fort Hood, não era menos, os afro-americanos eram treinados duramente e com um alto nível de exigência por quase dois anos. As unidades não-segregadas foram enviadas para o front com muito menos treinamento que o 761º.

Em combate

O tenente-general Benjamin Lear, comandante do II Exército, classificou a unidade como “superior” após uma revisão especial e considerou a unidade “pronta para o combate”. Após uma breve implantação na Inglaterra, em 10 de outubro de 1944, o 761º seguiu para a França, desembarcando na praia de Omaha. A unidade chegou (com seis oficiais brancos, trinta oficiais negros e 676 homens negros alistados) e foi designada para o recém-ativado III Exército dos EUA, do tenente-general George Patton a seu pedido.

O 761º Batalha de Tanques foi agregado à 26ª Divisão de Infantaria. A unidade entrou em ação no norte da França a partir de outubro de 1944, lutou na Batalha do Bulge, depois prosseguiu para a Renânia, e passou os últimos meses da guerra em solo alemão.

Em 7 de novembro de 1944, o 761º entrou em combate pela primeira vez, lutando nas cidades francesas de Moyenvic, Vic-sur-Seille, muitas vezes na vanguarda do avanço. A unidade combateu intensamente por 183 dias seguidos. Neste período, o 761º Batalhão de Tanques sofreu 156 foram 24 mortos, 81 feridos e 44 perdas fora da batalha. A unidade também perdeu 14 blindados e outros 20 foram danificados em combate.

Em dezembro de 1944, como parte do III Exército, o 761º foi enviado às pressas para ajudar a 101ª Divisão Aerotransportada que se encontrava cercada em Bastogne. No início de janeiro de 1945, como parte do esforço para romper o cerco e expulsar os alemães dos arredores de Bastogne. Com apenas 11 tanques apoiou elementos da 87ª Divisão de Infantaria na ofensiva, o 761º tomou o controle da cidade de Tillet, na França , da 113ª Brigada Panzer após dois dias de combate, perdendo no combate 9 tanques.

Após a Batalha de Bulge, o 761º  continiou em combate, abrindo o caminho para a 4ª Divisão Blindada norte-americana na Alemanha. Durante esta ação rompeu a Linha Siegfried, sendo uma das primeiras unidades norte-americanas a entrar na Alemanha por esse ponto. Nos últimos dias da guerra na Europa, o 761º foi uma das primeiras unidades americanas a chegar a Steyr, na Áustria, no rio Enns, onde se encontrou com a 1ª Frente Ucraniana do Exército Vermelho Soviético. 

Em 4 de maio de 1945, o 761º, junto com elementos da 71ª Divisão de Infantaria, libertou o campo de concentração de Gunskirchen.

Em 1º de junho de 1946, o 761º Batalhão de Tanques foi desativado na Alemanha e seu integrantes voltaram aos Estados Unidos.

Sites pesquisados

761 Tank Battalion- World War II (Black Panthers) Disponível no site: https://www.youtube.com/watch?v=A6khI8Jk-Xs . Acessado em 4/1/2022.

Black Panthers in the Snow: The 761st Tank Battalion at the Battle of the Bulge. Disponível no site: https://www.nationalww2museum.org/war/articles/black-panthers-761st-tank-battalion-battle-of-the-bulge Acessado em 4/1/2022.

MATTIMORE, Ryan.The Original Black Panthers Fought in the 761st Tank Battalion During WWII. These African American heroes battled the Nazis, but were still treated as second-class citizens in their home country. Disponível no site: https://www.history.com/news/761st-tank-battalion-black-panthers-liberators-battle-of-the-bulge . Acessado em 4/1/2022.

https://en.wikipedia.org/wiki/761st_Tank_Battalion_(United_States). Acessado em 4/1/2022.

https://www.nps.gov/articles/the-original-black-panthers.htm. Acessado em 4/1/2022.

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Documentário no You Tube:

2015 Honors: The 761st Tank Battalion The Story of the 761st “Black Panther” Tank Battalion, the decorated all African-American unit who served with valor during World War II. Narration by Joe Mantegna.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=BFhrrWuhry4

Ricardo Cabral

Sobre o autor

Ricardo Cabral

Professor de História formado pela UGF. Mestrado e Doutorado em História pela UFRJ. Autor de artigos sobre História Militar e Geopolítica.

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