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O Guerreiro Samurai: definição e origem

Prof. Esp. Douglas Magalhães Almeida

O termo Samurai remete para nós logo uma imagem cânone de um guerreiro japonês, usando uma armadura oriental sobre um traje de seda, um elmo com a representação de chifres em sua fronte, conhecido por um código de ética rígido, além do porte de espadas como parte de sua identidade. Essas características contudo, compõem pouco mais que uma imagem romantizada e idealizada do guerreiro que predominou no Japão em seu período feudal. Aqui temos como objetivo começar a repensar essa figura histórica, aquém de seus elementos midiáticos.

O guerreiro Samurai por definição é um combatente o qual tem sua procedência na antiguidade tardia do arquipélago japonês, cerca do final do séc. XI, pertencendo a uma nobreza marcial hereditária e que compõem um status social que presume privilégios ao mesmo tempo aristocráticos e marciais. Eles são um fenômeno unicamente nipônico e que apresentaram as mais diversas particularidades através do tempo, por meio dos oito séculos pelos quais existiram.

A sua origem ocorre quando no séc. XI o Império Yamato, que reinava sobre o Japão há eras, resolveu expandir seu território até o norte da ilha principal Honshu. Esse expansionismo ocorreu devido a guerra dos soldados imperiais contra a etnia Ainu que vivia no norte gelado, e como medida estratégica de assegurar o território conquistado, ele fora cedido para ser ocupado como terras particulares (Shoen) à fidalgos que tivessem interesse de se estabelecer, cultivá-las e guarnecê-las às próprias expensas. Assim, a proteção desses Shôen se dava por guerreiros (Bushi) que se uniam em laços matrimoniais na composição de clãs combatentes chamados Bushidan, onde se encontravam tanto famílias de lanceiros, quanto de forjadores, produtores de flechas, chefes de estábulo, arqueiros etc.

Muitos desses Bushidans tinham seus patriarcas, que ou pertenciam ou serviam a uma aristocracia da corte imperial que passavam a comandá-los, os Kishu. Junto a esse fenômeno no campo, ainda no período Heian (794-1185) o império baixou um édito sob a regência do Imperador Kanmu-tennô (782-805) de maneira que descendentes de 6º geração da Casa Imperial deveriam deixar a família imperial e passariam a ser membros de uma alta aristocracia com sobrenome próprio, de maneira que assim houve a fundação de diversos novos clãs aristocráticos que foram soldados imperiais, formando uma nova categoria de alto aristocratas guerreiros que não serviam diretamente o exército imperial.

Dessas famílias de nobreza guerreira se destacam duas em especial, os Taira e os Minamoto. Em meio a diversos dramas, ambas ganharam as graças dos imperadores e ascenderam na importância e poder dentro da burocracia imperial, a nível do patriarca Taira no Kiyomori chegar a se tornar sogro de um imperador e avô de um príncipe herdeiro, tendo ele mesmo assumido como regente de seu neto quando o genro falecera. Ambas as famílias disputaram o poder, o que ocasionou a chamada Guerra Genpei (1180-1185), relatada na obra considerada um dos maiores épicos samurais da história, o Heike Monogatari, compilado no séc. XIV.

Com a vitória do Clã Minamoto, em 1192 seu patriarca Minamoto no Yoritomo assumiu como o primeiro Seii Tai-Shôgun do Império Yamato, uma espécie de comandante marcial máximo que administrava em nome do imperador os assuntos políticos, econômicos e militares do arquipélago. Esse momento marcou a ascensão do status samurai na história que perdurou até o fim de seus privilégios em 1871, na contemporaneidade da Restauração Imperial Meiji.

Ao contrário das idealizações sobre os samurais, estes não seguiam um código de conduta exclusivo na guerra (Bushido) ou usavam especificamente espadas. Pelo contrário, começaram como arqueiros montados e até arma de fogo chegaram a usar.

Quer saber mais sobre os Samurais, leia o post Shogunato: o regime marcial dos samurais você pode navegar por este link, no nome do texto ou pelas categorias do site

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