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Os Mercenários do Grupo Wagner

Prof. Dr. Ricardo Pereira Cabral

O grupo Wagner foi fundado em 2014 por Dmitriy Valeryevich Utkin, oficial do Exército, operador de forças especiais (Spetsnaz)e veterano de guerra. O Grupo Wagner é uma Companhia Militar Privada (Private Military Company, PMC), sendo então, ChVK Vagnera a abreviatura russa para companhia militar privada. Seus integrantes são recrutados, principalmente, entre as forças especiais russas para atuar em várias partes do mundo, normalmente, lutando ao lado de aliados da Rússia. O grupo tem escritórios na Argentina (a confirmar), São Petersburgo e Hong Kong.

O grupo oferece serviços diversos de segurança, treinamento (de diversos tipos, indo de segurança pessoal até forças especiais, passando por tropas), reconhecimento, vigilância, busca e apreensão, operações encobertas (de combate), ação de comandos, operadores de forças especiais, operações de sabotagem, captura e eliminação de pessoas de interesse (eufemismo para assassinato).

O Grupo utiliza como centro de treinamento instalações que pertencem as Forças Armadas Russas, em Molkino, em Krasnodar Krai, região russa do norte do Cáucaso. Os mercenários são originários de quinze países, mas a mioria é constituída de russos. O treinamento é semelhante ao dos Spetsnaz e todos assinam um contrato de confidencialidade.

O Grupo fez sua estreia lutando ao lados dos militantes separatistas das Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk (2014-2015). A partir de então operaram em vários países e localidades tais como: Sérvia (não confirmado), combates em Palmira, al-Shaer, Deir ez-Zor, Hama, Kashham, Criméia e Donbass (Ucrânia); operações no Sudão, Angola, Zimbábue, Guiné Bissau, República Centro Africana, Congo, Madagscar, Líbia, Venzuela, Moçambique, Belarus, Nagorno-Karabkh, Burkina Faso e no Mali. Atualmente, mercenários do Grupo estão atuando na Ucrânia.

As operações do Grupo estão alinhadas aos interesses russos ou objetivos de sua política externa. Vários analista consideram que o ChVK Vagnera opera como unidade paramilitar não-oficial do Ministério da Defesa da Rússia (MDR), da agência de inteligência militar da Rússia, a GRU, do Serviço Federal de Segurança, a FSB e do Serviço de Inteligência Estrangeiro (SVR RF) dependendo da missão e do interesse russo envolvido. O Grupo Wagner é  usado pelo governo russo para permitir uma negação plausível sobre sua participação em certos conflitos como ocorreu na Criméia(2014). Acredita-se que o grupo seja de propriedade e/ou financiado por Yevgeny Prigozhin, um empresário com estreitas ligações com o presidente Vladimir Putin.

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Em 2019, vazou um código de honra do Grupo que, entre outros itens, se destacam: proteger os interesses da Rússia sempre e em todos os lugares, valorizar a honra do soldado russo, lutar não por dinheiro, mas pelo princípio de vencer sempre e em todos os lugares, deixando bem claro sua ligação com a Rússia.

O Grupo Wagner é acusado graves abusos de direitos humanos, incluindo tortura e execuções e assassinatos ilegais, sumários ou arbitrários, em atividades desestabilizadoras em alguns dos países em que operaram e continuam a operar, como a Líbia, Síria, Ucrânia (Donbas) e República Centro-Africana. Neste ponto, os russos agem igual aos norte-americanos que contratam PMCs, como a Academi (antiga Blackwater) para servirem de fachada para as operações de seus órgãos de inteligência.

A relação do Grupo Wagner com a Academi é de rivalidade e/ou parceria dependendo de onde e de que lado foram contratados.

Atualmente, o Grupo Wagner tem buscado ser mais discreto em suas operações evitando uma exposição que é “ruim para os negócios”, até porque foi alvo das sanções dos EUA e da UE.

Na verdade o Grupo Wagner é uma das companhias de mercenários utilizados pela Rússia em suas operações encobertas.

Outra PMC russa é a Vegacy Strategic Services Ltd, a empresa tem sede em Chipre, e fornece segurança abrangente, segurança marítima armada e serviços de treinamento especial, atuaram em países do Cáucaso e tem um centro de treinamento na Síria.

Conclusão

As PMC são utilizadas por vários governos para encobrir suas operações ilegais, sem se comprometerem. Normalmente, as PMC atuam a margem da lei, utilizando procedimentos no mínimo discutíveis (extrema violência, tortura etc.) sob a orientação de operadores de inteligência de forma velada. Apenas alguns países regulamentaram esse tipo de prestação de serviços (os EUA por exemplo), mas existe uma lacuna legal sobre a responsabilidade de suas ações nos países alvos e nos países contratantes.

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Imagem de Destaque: https://presswire18.com/wagner-group-putins-private-army-had-entered-ukraine-before-russian-army-wagner-group-is-made-up-of-dreaded-killers/

Sites consultados

https://eurasiantimes.com/as-battle-hardened-in-ukraine-wagner-group-vs-blackwater/

https://www.voanews.com/a/voa-exclusive-efforts-being-made-to-recruit-wagner-mercenaries-for-ukraine-africom-commander-says/6489376.html

https://medium.com/dfrlab/putinatwar-more-mercenaries-menace-mesopotamia-6b97877e7927

https://www.dailysabah.com/world/africa/russias-wagner-groups-presence-in-africa-goes-beyond-libya

https://www.dailymail.co.uk/news/article-10648653/Putins-assassination-squad-Wagner-Group-sanctioned.html

https://www.promoteukraine.org/9-facts-what-did-the-wagner-group-actually-do-in-belarus/

https://www.eurasiatimes.org/en/15/12/2021/eu-imposes-sanctions-on-russias-wagner-group-mercenaries/

2 comentários em “Os Mercenários do Grupo Wagner”

  1. É sempre bom ou até mesmo excelente saber notícias das Tropas de Operações Especiais, pois são tropas super treinadas e que pouco se sabe de seus integrantes e de seus treinamentos, locais etc e as vezes nem seus familiares sabem, e quando morrem são comigo fumaça, Desaparecem por isto merecem todo os meus respeito e Admiração

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