Pular para o conteúdo

Tanques da Segunda Guerra Mundial: Panzer II

Dr. Jorge Ferrer

ALEMANHA

INTRODUÇÃO:

O Panzer I era um protótipo para treinamento com um motor de baixa potência, armamento e blindagem deficientes. Em 1935, o General Oswald Lutz¹ e o Coronel Guderian² idealizaram a criação de dois modelos de carros de combate, sendo um leve para reconhecimento e outro médio para ser a ponta de lança das divisões blindadas. Os modelos escolhidos foram um tanque leve (Panzer II), pesando menos de nove toneladas com um canhão de 20 mm e dois médios (Panzer III e IV).³ O Panzer III foi equipado com o mesmo canhão disponível para a infantaria à época (37 mm)4 e o Panzer IV com um canhão de cano curto de 75 mm (MACKSEY, 1974, p. 12). Devido as grandes dificuldades na produção desses tanques médios, o Panzer II foi a principal máquina de guerra da Alemanha no início da Segunda Guerra Mundial (MILLER, 2004, p. 108).

Na realidade, os primeiros modelos do Panzer II (a/1, a/2, a/3) tinham quase as mesmas características do Panzer I, com uma suspensão semelhante, mesma velocidade e blindagem, era um pouco maior e possuía um canhão (20 mm) de tiro rápido. As pequenas mudanças foram causadas pelo aprendizado adquirido na guerra civil espanhola (1936-1939), onde o Panzer I mostrou-se inadequado para enfrentar o tanque russo T-26. As outras variantes (A-F) foram aperfeiçoadas com maior blindagem, suspensão mais resistente e um motor melhor que, praticamente, eliminava a grande quantidade de defeitos mecânicos (cerca de 30%) que ocorriam com os primeiros exemplares desses blindados (MACKSEY, 2016, pos. 1795). Quase 2.000 Panzer II foram produzidos (1936-1942)5, com os chassis restantes sendo usados como base dos canhões autopropulsados Marder II e Vespa (BLANC, 2018, pos. 17).

É preciso salientar que nas campanhas da Polônia (1939), França (1940), Iugoslávia (1941) e Rússia (1941), foi a qualidade do treinamento e o profissionalismo dos soldados das divisões panzer que fizeram a diferença nos campos de batalha, com o valor do equipamento ficando em segundo plano (MACKSEY, 1974, p. 13). O treinamento era rígido, obrigando os tripulantes a se familiarizar com todas as funções necessárias para o funcionamento do tanque. O comandante deveria conhecer tudo que seus comandados executavam, além de chefiar a guarnição em combate. Os recrutas vinham de atividades civis, apesar de 40% deles pertencerem à cavalaria (MACKSEY, 2016, pos. 1545), mesmo que muitos cavaleiros sêniores não concordassem com a evolução e o desenvolvimento da força panzer. A artilharia também se sentia ameaçada, com a perda da sua principal tarefa de apoio a infantaria.6     

HITLER E AS DIVISÕES PANZER (1939)

“Quando Hitler visitou a Polônia no dia cinco de setembro, ficou muito impressionado com a imagem de destruição da artilharia polonesa, perguntando a Guderian: “nossos bombardeiros fizeram isso.” Guderian respondeu: “não, foram nossos panzers e só tivemos 150 baixas.” Posteriormente, com o rápido avanço das unidades blindadas até as cercanias de Varsóvia, nas montanhas ao sul da cidade e, inclusive, em terreno bastante desfavorável para carros motorizados, Hitler percebeu que a força blindada seria a principal arma na guerra moderna, afirmando: “os blindados eram onipresentes, salvavam vidas, diferente do poder aéreo que tinha muitas limitações em seu emprego. Até aquele momento, eu tinha sido influenciado com as afirmações equivocadas de Göring sobre a onipotência do poder aéreo.”” (MACKSEY, 2016, pos. 2111-2119).7

PANZER II

Panzer II Ausf. a/1, a/2 e a/3

Comandante de Panzer II Ausf. a fechando a sua torre de comando.

Em 1936, o trator agrícola LaS 1008 seria renomeado Panzerkampfwagen II, com os primeiros modelos (Ausf. a/1, a/2 e a/3) fabricados sobre o mesmo chassi (Daimler) do Panzer I, com um motor, um pouco mais potente da MAN (HL57TR), de seis cilindros e sete marchas, sendo uma de ré. A alta velocidade do canhão (20 mm) tinha uma ótima capacidade de perfuração contra blindagem de tanques leves como os T-269 e BTs10 russos, com um alcance máximo de 600 metros. Setenta e cinco carros de combate foram encomendados, vinte e cinco para cada variante (a/1, a/2 e a/3), com os chassis montados em uma blindagem homogênea de alto níquel, mais fina e resistente, levemente inclinada (5-13 mm). O Panzer II Ausf. a participou da invasão da Polônia, mas foi realocado para o trabalho de reconhecimento nos combates futuros (TUCKER-JONES, 2018, pos. 499-513).

Panzerkampfwagen (Panzer) II a/1, a/2 e a/3
FabricanteMAN e Daimler
Época Produção1935-1943
Países Utilitários          Alemanha, Bulgária e Espanha
Tripulação3 (comandante/artilheiro, motorista e municiador/operador rádio)
Blindagem5-13 mm
Peso7.600 kg
Dimensões4,38 (C) / 2,14 (L) / 1,95 (A)
MotorMaybach HL57TR, 6 cilindros, refrigerado a água, 130hp
Armamento1 canhão 20 mm KwK 30 L55 e 1 metralhadora MG 34
Velocidade40 km (estrada pavimentada)
Alcance Operacional190 km (estrada pavimentada)

Panzer II Ausf. b

12ª Div. Panzer: 9ª Seção, tanque nº 611

A principal mudança dessa série foi a potência do novo motor Maybach (HL62TR) com uma transmissão melhor e mais resistente, permitindo ao Ausf. b receber uma blindagem mais espessa, principalmente na parte frontal e na torre de 16 mm. A blindagem foi moldada com aço homogêneo, sem níquel, para diminuir os altos custos de produção. Sua silhueta era muito parecida com o modelo Ausf. A, com pequenas modificações na suspensão que alterou o tamanho das rodas de suporte e motrizes. A tampa do motor na parte traseira foi blindada e um novo sistema de exaustor foi projetado para a refrigeração da máquina propulsora. Foram fabricados, apenas vinte e cinco unidades (1936-1937) que participaram em ações contra outras unidades blindadas na Polônia, sendo depois utilizados para tarefas de reconhecimento ou em escolas de treinamento de motoristas (TUCKER-JONES, 2018, pos. 513-529).

Panzerkampfwagen (Panzer) II b
Tripulação3 (comandante/artilheiro, motorista e municiador/operador rádio)
Blindagem5-16 mm
Peso7.900 kg
Dimensões4,76 (C) / 2,14 (L) / 1,95 (A)
MotorMaybach HL62TR, 6 cilindros, refrigerado a água, 140hp
Armamento1 canhão 20 mm KwK 30 L55 e 1 metralhadora MG 34
Velocidade40 km (estrada pavimentada)
Alcance Operacional190 km (estrada pavimentada)

Panzer II Ausf. c

READ  Fornovo di Taro: A rendição alemã para o Exército brasileiro
O Ausf. c não tinha mais a longarina que ligava as rodas de estrada.

      Nesse protótipo, a mudança principal se caracterizou por uma suspensão totalmente diferente (1937), com a finalidade de evitar as constantes quebras mecânicas. A nova suspensão tinha cinco grandes rodas em vez de seis menores, sem a viga de metal que as ligava (1). As rodas de suporte passaram de três para quatro (2) e um volante maior foi instalado para o melhor desempenho da transmissão. Os freios foram modificados para deter, com mais facilidade, um veículo duas toneladas mais pesado. Um total de vinte e cinco protótipos foram manufaturados, sendo que uma dezena deles, foi construído com aço molibdênio.12 O Ausf. c não participou da guerra civil espanhola, mas usufruiu das experiências adquiridas nesse campo de batalha. Posteriormente, foi alocado para a campanha polonesa e alguns estiveram na invasão da França (CARSON, 2017, pos. 3817-3829).

Panzerkampfwagen (Panzer) II c
Tripulação3 (comandante/artilheiro, motorista e municiador/operador rádio)
Blindagem5-16 mm
Peso8.900 kg
Dimensões4,81 (C) / 2,22 (L) / 1,99 (A)
MotorMaybach HL62TR, 6 cilindros, refrigerado a água, 140hp
Armamento1 canhão 20 mm KwK 30 L55 e 1 metralhadora MG 34
Velocidade40 km (estrada pavimentada)
Alcance Operacional190 km (estrada pavimentada)

Panzer II Ausf. A-B

4ª Div. Panzer: 1ª Cia., 4ª Seção, tanque nº 5

Os Ausf A e B seriam produzidos em grande quantidade para suprir as divisões blindadas alemães, enquanto a fabricação dos tanques médios (Panzer III) estivesse bastante atrasada. Em 1937, várias fábricas foram convocadas para a fabricação dos Panzer II (Alkett, Daimler, Famo, Henschel, Krupp, MAN, Miago e Wegmann), com algumas chegando a produzir trinta carros por mês. Poucas modificações aconteceram em relação ao Ausf. c, como a introdução de um motor um pouco mais potente da MAN (HL62TRM) e com a instalação de um rádio de ondas ultracurtas. Os Ausf. B enviados para o Afrika Korps, receberam uma chapa blindada protetora na parte externa do canhão e no casco. Com a intenção de invadir a Inglaterra (Operação Leão Marinho), no verão de 1940, 52 Panzer II foram adaptados em tanques anfíbios. Foram construídos 210 Ausf. A e 627 Ausf. B (CARSON, 2017, pos. 3833-3857). 

Panzerkampfwagen (Panzer) II A-B
Tripulação3 (comandante/artilheiro, motorista e municiador/operador rádio)
Blindagem5-16 mm
Peso8.900 kg
Dimensões4,81 (C) / 2,22 (L) / 1,99 (A)
MotorMaybach HL62TRM, 6 cilindros, refrigerado a água, 140hp
Armamento1 canhão 20 mm KwK 30 L55 e 1 metralhadora MG 34
Velocidade40 km (estrada pavimentada)
Alcance Operacional190 km (estrada pavimentada)

Panzer II Ausf. C

5ª Div. Panzer: 1ª Seção, tanque nº 213

Os Ausf. C continuaram a ser fabricados, em grandes quantidades, porque a produção dos Panzer III continuava atrasada. Não houve nenhuma modificação significativa entre os modelos Ausf. B dos Ausf. C. Foi instalado um vidro (50 mm) à prova de balas na viseira do comandante, com o periscópio que ficava posicionado na frente da sua escotilha, sendo removido. Um problema grave, era que o alçapão, usado pelo comandante na torre do veículo, abria em duas partes, com uma virando para a direita e a outra para a esquerda. Dessa forma, deixava o comandante sem nenhuma proteção para a sua cabeça e seus ombros. Trezentos e sessenta e quatro Ausf. C foram produzidos, sendo alguns enviados para a frente russa. Em 1944, os últimos trinta e oito Ausf. C foram perdidos na Normandia durante os primeiros dias da invasão aliada (TUCKER-JONES, 2018, pos. 566-569).

Panzerkampfwagen (Panzer) II C
Tripulação3 (comandante/artilheiro, motorista e municiador/operador rádio)
Blindagem5-16 mm
Peso8.900 kg
Dimensões4,81 (C) / 2,22 (L) / 1,99 (A)
MotorMaybach HL62TR, 6 cilindros, refrigerado a água, 140hp
Armamento1 canhão 20 mm KwK 30 L55 e 1 metralhadora MG 34
Velocidade40 km (estrada pavimentada)
Alcance Operacional190 km (estrada pavimentada)

Panzer II Ausf. D-E

8ª Div. Panzer: 3ª Cia., 1ªSeção, Tanque nº 414

Esses dois modelos sofreram modificações importantes, como a introdução de uma nova suspensão com rodas de estrada maiores e resistentes15, com um motor Maybach (HL.62TR) mais potente capaz de desenvolver a velocidade de 55 km/h (estradas pavimentadas) e uma blindagem de 30mm.16 Outra mudança foi a introdução de escotilha blindada, na frente do carro, para o operador de rádio. Esses carros de combate foram projetados para as divisões blindadas ligeiras (Leichte), para as divisões de infantaria motorizada (Panzergrenadier) e veículos de reconhecimento (TUCKER-JONES, 2018, pos. 635-642). Foram construídos quarenta e três Ausf. D e sete Ausf. E (1938-1939), com todos participando da guerra na Polônia e na França. Os remanescentes foram convertidos nos caçadores de tanques Marder II (Pak 36)17 ou em tanques lança-chamas (Flammenwerferwagen).  

Panzerkampfwagen (Panzer) II D-E
Tripulação3 (comandante/artilheiro, motorista e municiador/operador rádio)
Blindagem5-30 mm
Peso11.000 kg
Dimensões4,75 (C) / 2,14 (L) / 2,02 (A)
MotorMaybach HL62TRM, 6 cilindros, refrigerado a água, 140hp
Armamento1 canhão 20 mm KwK 30 L55 e 1 metralhadora MG 34
Velocidade55 km (estrada pavimentada)
Alcance Operacional200 km (estrada pavimentada)

Panzer II Ausf. F

15ª Div. Panzer: 1º Batalhão, 2ª Cia.

Houve algumas alterações em relação aos modelos anteriores, como a mudança da escotilha dividida do comandante por um periscópio no topo da torre. Outra novidade foi a introdução de uma viseira falsa na parte frontal, no lado direito, para enganar o inimigo e placas blindadas planas na superestrutura do carro com a blindagem de 30 mm. O armamento permanecia o mesmo dos anteriores, apesar da necessidade de um canhão mais potente. Sua estreia em combate foi na campanha russa como tanque de reconhecimento. Outros, foram utilizados na Líbia, onde foram necessários alguns ajustes para suportar o forte calor do deserto, como o aumento da entrada de ar (exaustores) e a ventoinha do radiador para a refrigeração do motor. Foram fabricados 509 tanques, de agosto de 1941 a junho de 1943, quando deixou de ser manufaturado (DOYLE, 2019, pos. 711-716).

Panzerkampfwagen (Panzer) II f
Tripulação3 (comandante/artilheiro, motorista e municiador/operador rádio)
Blindagem5-30 mm
Peso9.500 kg
Dimensões4,75 (C) / 2,28 (L) / 2,15 (A)
MotorMaybach HL62TRM, 6 cilindros, refrigerado a água, 140hp
Armamento1 canhão 20 mm KwK 30 L55 e 1 metralhadora MG 34
Velocidade40 km (estrada pavimentada)
Alcance Operacional190 km (estrada pavimentada)

Panzer II Ausf. G-H-M

READ  A 1º Batalha do Tuiuti
O Ausf. G era muito pesado para ter a mobilidade exigida.

O Ausf. G (Vk 9.01)18 foi uma tentativa de melhorar a performance dos Panzer II. A ideia era projetar um carro de combate veloz, com uma blindagem superior, grande poder de fogo e, principalmente uma suspensão muito resistente, capaz de ter grande agilidade em terrenos ruins. O projeto foi um fracasso porque a tecnologia exigida, estava muito acima da capacidade da indústria alemã à época. Assim, atrasos e adiamentos foram frequentes, com a produção continuando até o ano de 1943. Poucas unidades foram terminadas (45), sendo utilizadas no front russo contra guerrilheiros e como reserva blindada na Normandia (1944), se tornando um grande fracasso de modernização e produção. Os Ausf. H e Ausf. M foram apenas protótipos que não tiveram sua produção efetivada. Em 1942, foram substituídos pelo projeto do Panzer II Ausf. L (Luchs).19

Panzerkampfwagen (Panzer) II G
Tripulação3 (comandante/artilheiro, motorista e municiador/operador rádio)
Blindagem5,5-30 mm
Peso10.500 kg
Dimensões4,24 (C) / 2,39 (L) / 2,05 (A)
MotorMaybach HL66P, 6 cilindros, refrigerado a água, 150hp
Armamento1 canhão 20 mm KwK 38 L55 e 1 metralhadora MG 34
Velocidade65 km (estrada pavimentada)
Alcance Operacional200 km (estrada pavimentada)

Panzer II Ausf. J

O Ausf. J tinha uma grande blindagem (80 mm).

O Ausf. J foi idealizado para ser um tanque de reconhecimento com uma blindagem frontal poderosa de 80 mm, com chapas de 25 mm no teto e 50 mm nas outras partes do carro. Pesava o dobro (18 ton.) da maioria dos Panzer II, tendo com motor um Maybach (HL45P) de 150 hp de potência. Devido à forte blindagem, sua velocidade ficou limitada em 31 km em estradas pavimentadas. O motorista e o operador de rádio que ficavam na parte de baixo do veículo, tinham viseiras blindadas e o comandante, que ficava sentado sozinho na torre, possuía uma cúpula de saída, na parte de cima do veículo. O primeiro protótipo saiu da fábrica em maio de 1940, com vinte e duas unidades sendo construídas até dezembro de 1942. Sete veículos foram enviados em 1943, para a 12ª Divisão Panzer na frente oriental, para participar da Batalha de Kursk (TUCKER-JONES, 2018, pos. 723-727).

Panzerkampfwagen (Panzer) II J
Tripulação3 (comandante/artilheiro, motorista e municiador/operador rádio)
Blindagem50-80 mm
Peso18.000 kg
Dimensões4,24 (C) / 2,39 (L) / 2,05 (A)
MotorMaybach HL45P, 6 cilindros, refrigerado a água, 150hp
Armamento1 canhão 20 mm KwK 38 L55 e 1 metralhadora MG 34
Velocidade31 km (estrada pavimentada)
Alcance Operacional130 km (estrada pavimentada)

Panzer II Ausf. L (Luchs)

4ª Div. Panzer: 4º Batalhão, 2ª Cia. (Luchs)

      Os projetistas alemães idealizaram um novo tanque leve para reconhecimento com quatro tripulantes20, com um motor (HL66P) capaz de desenvolver uma velocidade de 60 km/h em estradas. Foi a melhor variante fabricada do Panzer II, sendo nomeado de Ausf. L Luchs (Lince). O Luchs tinha uma blindagem frontal de 30 mm e de 20 mm nas laterais e na traseira. Por causa do canhão de 20 mm (KwK 38) de cano longo (1,30 m), a torre ficou alguns centímetros maior que dos protótipos anteriores. Foram produzidas cem unidades entre setembro de 1942 e janeiro de 1944. A ideia era construir outros setecentos veículos com um canhão de 50 mm, blindagem de 30 mm nas laterais, com o peso de vinte e dois toneladas. Nunca seriam fabricados, sendo substituídos pelos Panzer III e IV que apresentavam as mesmas características. Estiveram em combate nas frentes oriental e ocidental. (TUCKER-JONES, 2018, pos. 730-738).  

Panzerkampfwagen (Panzer) II L
Tripulação4 (comandante/artilheiro, motorista, municiador e operador rádio)
Blindagem5,5-30 mm
Peso11.800 kg
Dimensões4,63 (C) / 2,48 (L) / 2,21 (A)
MotorMaybach HL66P, 6 cilindros, refrigerado a água, 180hp
Armamento1 canhão 20 mm KwK 38 L55 e 1 metralhadora MG 34
Velocidade60 km (estrada pavimentada)
Alcance Operacional260 km (estrada pavimentada)

Variantes:

Foram muitas variantes do Panzer II, sendo as mais importantes: os tanques lança-chamas e os canhões autopropulsados (antitanques) que foram utilizados em todas as frentes da Segunda Guerra Mundial.

TANQUES LANÇA-CHAMAS

Flammpanzerwagen II “Flamingo”21

19ª Div. Panzer: 27º Regimento Panzer (Flamingo)

      O Lança-chamas Flamingo foi pensado para apoiar a infantaria contra defesas inimigas bem defendidas (bunkers). A blindagem frontal era bem consistente (30 mm) mas nas laterais do veículo era muito fina (5 mm), permitindo que os rifles e canhões antitanques soviéticos atravessassem sua fina defesa. Outro problema, a torre só permitia a presença de um homem (comandante) que tinha que comandar, utilizar os lança-chamas e atirar com a metralhadora (MG 34). Era equipado com dois lança-chamas padrão, um de cada lado do veículo com um giro de 180º. Tiveram uma breve presença na campanha russa, devido a seu fraco desempenho, sendo retirados em dezembro de 1941, para que os seus chassis fossem utilizados na fabricação do Marder II. Foram confeccionados cento e cinquenta carros de combate, com a maioria tendo sido perdida em combate.

Flammpanzerwagen II (FLAMINGO)
Tripulação3 (comandante/artilheiro, motorista, municiador/operador rádio)
Blindagem5,5-30 mm
Peso12.000 kg
Dimensões4,30 (C) / 2,12 (L) / 1,85 (A)
MotorMaybach HL62TRM, 6 cilindros, refrigerado a água, 140hp
Armamento2 lança-chamas padrão e 1 metralhadora MG 34
Velocidade40 km (estrada pavimentada)
Alcance Operacional250 km (estrada pavimentada)

CANHÕES AUTOPROPULSADOS E ANTITANQUES

75 mm PAK 40 auf Fahrgestell Panzerkampfwagen II (Marder II):

4ª Div. Panzer: 49º Batalhão de Caçadores de Tanques

Os primeiros embates na campanha da Rússia mostraram que as forças blindadas alemães precisavam de um veículo rápido antitanque, para contrabalançar a superioridade dos tanques T-3422 e KV-123 russos. A solução foi a utilização da estrutura do Panzer II com um canhão capaz de perfurar blindagens espessas. Foi projetado um veículo autopropulsado (Marder II) nos chassis dos Ausf. D/E, armado, inicialmente, com um canhão soviético F-2224, modelo 1936 de 76 mm, capturados em abundância desde o início da Operação Barbarossa. Posteriormente, foi introduzido um canhão alemão PAK 40 de 75 mm25, melhorando a capacidade destrutiva do carro de combate. Nos modelos iniciais, armados com canhões soviéticos, sua silhueta ficava muito exposta (2,60 m), mas com a introdução do canhão alemão sua silhueta foi reduzida em 40 cm (2,20 m).

READ  A relação Ucrânia e Alemanha: O Governo Colaboracionista na Segunda Guerra Mundial

O grande problema do Marder II era a falta total de proteção nas laterais e na traseira do veículo, que deixava seus tripulantes expostos aos tiros de artilharia e fragmentos de granada do inimigo. Não era adequado para lutar contra outros tanques e, inadequado para combates em zonas urbanas, mas podiam exercer muito bem tarefas defensivas e de patrulhamento. Em um ano de produção (1942-1943) foram produzidos 576 veículos, com outros 75 oriundos da transformação do Panzer II, retirados da zona de combate (07/1943-03/1944). Sua fabricação teve uma queda acentuada quando o Exército Alemão resolveu substituí-lo pelo obus autopropulsado Wespe (TUCKER-JONES, 2018, pos. 806-813). Esteve presente em todos os teatros da guerra, sendo utilizados pelas Divisões Panzer, Waffen SS26 e algumas unidades da Luftwaffe.27

75 mm PAK 40 auf Fahrgestell Panzerkampfwagen (MARDER II)
Tripulação3 (comandante/artilheiro, motorista, municiador)
Blindagem5-35 mm
Peso10.800 kg
Dimensões6,36 (C) / 2,28 (L) / 2,20 (A)28
MotorMaybach HL62TRM, 6 cilindros, refrigerado a água, 140hp
Armamento2 lança-chamas padrão e 1 metralhadora MG 34
Velocidade40 km (estrada pavimentada)
Alcance Operacional190 km (estrada pavimentada)

Leichte Feldhaubitze 18 auf Fahrgestell Panzerkampfwagen II (WESPE)29

9ª Div. Panzer: 102º Regimento Artilharia, 2º Grupo.

O Wespe foi uma consequência da necessidade de os alemães disporem de um canhão autopropulsado para acompanhar as divisões blindadas na invasão da França. Os Panzer I e II eram muito fracos em blindagem e armamento, incapazes de resistir a maioria dos tanques aliados e no enfrentamento de defesas bem armadas e estruturadas. Entretanto, seu chassi poderia ser utilizado para variantes capazes de carregar canhões e obuses mais poderosos que o seu canhão de 20 mm. Para essa finalidade, modificações importantes foram realizadas como a transferência do motor para a parte frontal do veículo, o alongamento necessário para a instalação do obus de 105 mm (leFh 18)30 na traseira do veículo. Sua blindagem permaneceu escassa (10 mm) e sem proteção nas laterais e traseira para os cinco tripulantes. O comandante e os três artilheiros ficavam expostos a todo tipo de ataque do inimigo.

Seu batismo de fogo ocorreu na Rússia em 1943, com um desempenho tão excepcional, que Hitler decidiu reservar todos os chassis dos Panzer II para a sua confecção, inclusive interrompendo a fabricação do Marder II. O Wespe conseguiu se encaixar com perfeição no sistema operacional da blitzkrieg por sua velocidade e pelo seu forte poder de fogo. No período de um ano (1943-1944), foram confeccionadas seiscentos e setenta e cinco unidades e, os chassis restantes serviram para a construção de cento e cinquenta e nove carregadores de munição para a artilharia autopropulsada. A principal fábrica (Ursus)31 do Wespe se localizava na Polônia (Varsóvia), que acabou sendo fechada com a chegada das tropas soviéticas nas cercanias da cidade (1944). O Wespe era muito apreciado pelas suas tripulações, sendo utilizados em todas as frentes de combate.  

Leichte Feldhaubitze 18 auf Fahrgestell  Panzerkampfwagen II (WESPE)
Tripulação5 (comandante, motorista, 3 municiadores/artilheiros)
Blindagem5-30 mm
Peso11.000 kg
Dimensões4,81 (C) / 2,28 (L) / 2,30 (A)
MotorMaybach HL62TRM, 6 cilindros, refrigerado a água, 140hp
Armamento1 canhão de 105 mm leFH 18/2 L/28
Velocidade40 km (estrada pavimentada)
Alcance Operacional220 km (estrada pavimentada)

FOTOS:

  1. BISHOP, Chris; ROSADO, Jorge. División Alemana Panzer 1939-1945. Madri: LIBSA, 2008 (Imagens 1,3,5,6,7,8,11,12,13,14).
  2. PANZER II: https//pt.wikipédia.org (Imagens 2,4).
  3. DOYLE, David. The Complete Guide to German Armored Vehicles. New York: Skyhorse Publishing, 2019 (Imagens 9,10).

NOTAS:

[1] Oswald Lutz teve as seguintes promoções enquanto fazia parte como inspetor das tropas mecanizadas do Exército Alemão: 1- Major-General (1931), Tenente-General (1933) e, finalmente, General de Exército (1935) como comandante geral das Divisões Panzer.

[2] Heinz Guderian foi promovido a Coronel em 1933.

[3] O Panzer III se transformou no carro médio padrão do Exército Alemão no início da guerra, apesar da fabricação nunca ter atingido os números desejados. Na Polônia foram utilizados 98 tanques e na França 350. O Panzer IV foi manufaturado durante toda a guerra e atingiu a quantidade de 8.800 unidades no início de 1945.

[4] O canhão de 37 mm era fabricado para a infantaria e foi utilizado para suprir o Panzer III, mesmo sendo incapaz de penetrar as blindagens dos principais tanques pesados existentes.

[5] No final de sua produção em 1942, ainda existiam 860 tanques em atividade, principalmente na função de reconhecimento ou em tarefas de proteção das linhas de suprimentos alemães (Rússia).

[6] O corporativismo da Cavalaria e da Artilharia foi uma grande barreira que Guderian precisou superar. As duas armas temiam a perda de prestígio e investimento em detrimento aos carros de combate.

[7] Transcrição do diálogo ocorrido entre Hitler e Guderian, na visita que o Führer fez junto com Himmler e Rommel à Polônia (05/09/1939).

[8] O trator agrícola (“landwirtschafliche schlepper”) LaS 100 foi renomeado Panzer II, depois que Hitler violou e rompeu com as normas do Tratado de Versalhes, anunciando o rearmamento alemão (16/03/1935).

[9] O T-26 russo foi um tanque leve de apoio a infantaria com um canhão de 37 mm, baseado no modelo britânico Vickers (6 ton.), com cerca de 280 unidades participando da guerra civil espanhola.

[10] O BT (“Bristokhodny Tank” – tanque rápido) era oriundo do modelo Christie norte-americano, que possuía a capacidade de trafegar sobre lagartas ou sobre rodas, dependendo do terreno percorrido (acidentado ou estradas). Foram produzidos sete tipos de carros de combate (BT-1 a BT-7) de 1932-1941. Cinquenta unidades do BT-5, equipados com um canhão de 45 mm, foram enviados para os republicanos na Espanha. O BT-7, o último protótipo da série, seria a base do mais famoso tanque da Segunda Guerra Mundial, o T-34.

[11] Muitos blindados rebocavam combustível e carregavam suprimentos por causa das grandes distâncias que percorriam na campanha russa.

[12] Molibdênio é uma liga metálica de alta resistência, utilizada para a fabricação de canhões e blindagem de carros de combate.

[13] A 5ª Divisão Panzer utilizou uma numeração de dois dígitos (seção e nº do tanque) durante a invasão da Polônia. Tinha como símbolo um paralelogramo amarelo, pintado nas laterais da torre. Nessa campanha, a cruz branca foi substituída por uma amarela, com bordas brancas, para dificultar a visão do inimigo.

[14] A cruz branca era a insígnia nacional das divisões panzer na campanha polonesa. Pela facilidade de ser visualizada pelo inimigo, foi substituída pela cruz preta com as bordas brancas (BalkenKreuz – Cruz de Barros) nas campanhas posteriores ao da Polônia.

[15] As suspensões anteriores precisavam ser trocadas a cada 2.000 km.

[16] A blindagem da torre permanecia com a espessura de 14,5 mm.

[17] O Pak 36 (37 mm) foi o principal canhão da infantaria alemã no início da guerra. Foram fabricados, cerca de 14.500 unidades no período de 1928 a 1942.

[18] O protótipo VK significa em alemão: veículo de combate experimental.

[19] O Panzer II Ausf. L era conhecido como Luchs (Lince). 

[20] A equipe era composta do comandante/artilheiro, motorista, municiador e um operador de rádio.

[21] O Flammpanzerwagen II foi o primeiro blindado alemão que recebeu um nome de um animal (Flamingo). Posteriormente, outros seriam contemplados com o mesmo procedimento (Lince, Pantera, Puma e Tigre).

[22] O T-34 era um tanque médio muito ágil, resistente e com grande poder de fogo. Possuía um poderoso canhão de 76 mm, depois substituído por outro melhor de 85 mm. Tinha uma blindagem inclinada que dificultava a penetração dos projéteis antitanques de 37 e 50 mm dos alemães. Foi o carro de combate mais produzido na guerra, cerca de 80.000 unidades. Podemos considerá-lo o melhor tanque da Segunda Guerra Mundial.   

[23] O KV-1 era um tanque pesado com uma blindagem poderosa (85 mm frente, 75 mm lateral e 70 mm traseira) e um canhão de 76 mm. Os canhões antitanques alemães de 37 e 50 mm não conseguiam perfurar sua espessa blindagem. Com o surgimento do canhão de 88 mm, os alemães puderam destruí-lo a uma distância razoável. Suas desvantagens eram a lentidão e uma caixa de transmissão muito ruim. Foram fabricados mais de 5.000 carros de combate.

[24] O canhão F-22 Modelo 1936 de 76 mm era um equipamento que poderia ser usado como canhão antitanque, como canhão de artilharia e como canhão antiaéreo. Os alemães capturaram muitos deles no início da Operação Barbarossa, inclusive, produzindo munição para utilizá-los. Também, adaptaram a munição do PAK 40 75 mm para ser utilizada com esses canhões.

[25] O PAK 40 foi um canhão de 75 mm produzido para substituir os canhões de 37 e 50 mm que não conseguiam destruir os T-34 e os KV-1. Teve um excelente desempenho durante a guerra e só diante dos IS (Iosif Stalin I e II russos) e do M-26 Pershing (norte-americano), no final da guerra, teve dificuldade em combatê-los. Foi considerado o melhor canhão antitanque da Segunda Guerra Mundial.

[26] Waffen SS era o braço militar das SS. Foram formadas quase 40 divisões, inclusive com voluntários estrangeiros, comandados por Himmler.

[27] Luftwaffe – Força Aérea Alemanha comandada por Göring.

[28] O canhão PAK 40 75 mm, por ser menor (alma), proporcionou a redução de 40 cm na altura do carro de combate.

[29] Vespa.

[30] O leFh 18 era um obus leve alemão, projetado em 1927, que foi adotado pela Wehrmacht em 1935 até o final da Segunda Guerra Mundial. Foram produzidos 22.133 modelos.

[31] A Ursus era uma fábrica de tratores nas cercanias de Varsóvia. Quando a Polônia foi ocupada, ela seria encampada pela FAMO alemã, onde foram produzidos os carros antitanques Marder II e Wespe.

BIBLIOGRAFIA:

  1. BISHOP, Chris; ROSADO, Jorge. División Alemana Panzer 1939-1945. Madri: LIBSA, 2008.
  2. BLANC, Cláudio. Guia Arsenal de Guerra – Tanques. São Paulo: On Line Editora, 2018.
  3. CARSON, William S. Tanks of the Axis Countries in the World War II. 2017.
  4. DOYLE, David. The Complete Guide to German Armored Vehicles. New York: Skyhorse Publishing, 2019.
  5. MACKSEY, Kenneth. Divisões Panzer – Os Punhos de Aço. Rio de Janeiro: Editora Rennes, 1974.
  6. MACKSEY, Kenneth. Guderian General Panzer. Barcelona: Roca Editorial, 2016.
  7. MILLER, David. Tanks of the World – From World War I to the Present Day. Londres: Salamander Book, 2004.
  8. TUCKER-JONES, Anthony. Panzer I & II – The Birth of Hitler’s Panzerwaffe. South Yorkshire: Pen & Sword Books, 2018.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.