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A disputa hegemônica entre os Estados Unidos e a China

Prof. Dr. Ricardo Pereira Cabral

A disputa hegemônica entre norte-americanos e chineses está em pleno andamento, vamos oferecer aqui alguns aspectos dessa contenda para que possam refletir sobre o tema.

– A partir de 1978, as reformas econômicas promovidas por Deng Xiao Ping (1904-1997) aceleraram o desenvolvimento social, econômico e tecnológico chinês levando-os a situação de principal economia mundial (PIB paridade de compra) e no segundo lugar pelo PIB nominal;

– A medida que sua economia se fortalecia a China se lançou a uma ofensiva diplomática a fim de reafirmar/recuperar seu controle por territórios que considera lhe pertencerem historicamente (um grande problema, sem dúvida) que tem provocado atritos com vários países vizinhos. Os chineses têm disputas territoriais com cerca de 20 Estados com destaque para as regiões de fronteira com a Índia e o Paquistão na cordilheira do Himalaia, com o Japão e no Mar do Sul da China com o Vietnã, as Filipinas, Taiwan, Malásia, Brunei. Recentemente autoridades chinesas reclamaram a devolução da região de Vladivostok!!! (antiga Qing, a região foi anexada pelos russos depois da derrota chinesa na Segunda Guerra do Ópio);

– Em paralelo ao desenvolvimento econômico, a China tem modernizado e reforçado as capacidades militares do Exército Nacional de Libertação, em especial, da Marinha do ENL, a fim de poder enfrentar o poder naval norte-americano;

– A Iniciativa Cinturão e a Rota da Seda são os maiores projetos geoeconômicos deste início de século, a sua implementação visa promover a integração de cadeias produtivas de diversos países na Ásia, África e Europa à China, criando/aprofundando laços de complementaridade e subordinação às estruturas econômicas chinesas;

– Em 2020, os chineses assinaram o maior acordo comercial do mundo, a Parceria Econômica Regional Abrangente com 14 países asiáticos da orla do Pacífico e envolve cerca de 1/3 do PIB global e 2.2 bilhões de consumidores;

– A aproximação política e econômica com outros Estados contestadores das políticas norte-americanas como a Rússia, Irã e Venezuela é uma forma de manter Washington ocupado;

– A China tem instrumentalizado várias organizações internacionais e os fóruns regionais para apoiar políticas chinesas, ao mesmo tempo em que busca neutralizar contestações com sansões econômicas e ameaças;

– A China tem sido mais assertiva e contestadora das ações norte-americanas, em uma competição aberta pela hegemonia. Vários analistas duvidam que os antagonistas consigam superar suas diferenças por meio de negociações e Washington aceite a calmamente a hegemonia chinesa. Será que estamos diante de uma nova versão da “Armadilha de Tucídides”? O que acham?Mas, e os Estados Unidos?

– Barack Obama (2009-2017) durante o seu mandato procurou: reduzir o empenho militar no Oriente Médio; sair das guerra do Iraque e do Afeganistão, ao mesmo tempo em que reforçava a presença militar no Pacífico; fazer um acordo nuclear com o Irã e reintegrá-lo a comunidade internacional com o apoio da União Europeia; implementar grandes acordos comerciais com a União Europeia e com o Reino Unido (acordos mais amplos e profundos, a proposta era de uma de integração) e a Parceria Trans-Pacífico (um grande acordo de livre comércio com os países da orla do Pacífico, nas Américas, na Oceania e na Ásia excluindo a China), estabelecer um novo patamar de relação com a Rússia (eram otimistas, o objetivo era uma parceria) e adoção de Política de Contenção contra a China. Em termos econômicos, podemos destacar que tentou aprofundar a regulamentação econômica, lançou projetos de renovação da infraestrutura, do sistema educacional, de pesquisa e desenvolvimento, acelerou projetos relativos a transição energética, incentivou (ainda mais) a indústria espacial, a robótica, novos sistemas produtivos neutros em relação aos danos ao meio ambiente e acelerou a transição tecnológica (4G e o 5G);

– A administração Donald Trump (2017-2021) fez alterações na política externa, rompendo com a estratégia que vinha sendo implementada pelo governo Obama: rompimento do acordo com o Irã e adoção de novas medidas de isolamento político e econômico; rompimento das negociações de grandes acordos-quadro, preferindo investir em acordos bilaterais e renegociação do NAFTA; reverteu toda a pauta econômica, voltando a prática de redução de impostos e crédito farto e de baixo custo para a livre iniciativa, estimulou a produção de petróleo e carvão, anulou grande parte da regulamentação econômica do governo Obama; entrou em litígio com os países europeus membros da Otan sobre questões relativas a orçamento e ao estado das FFAA; distendeu as relações com a Rússia; adotou uma estrita política de contenção contra a China; reforçou a presença militar no Pacífico e no índico; abandonou o tradicional multilateralismo norte-americano;O resultado dessa política adotada por Trump é que, atualmente, os chineses se tornaram os protagonistas na cena global e tem expandido sua influência. Um grande problema para o novo governo Joe Biden.

Quer saber mais sobre Geopolítica, leia o artigo sobre A Liderança Geopolítica de Cretenses e Atenienses no Mar Egeu e os posts sobre O que podemos esperar do governo Joe Biden?; Geopolítica da Rússia, você pode navegar por este link, no nome do texto ou pelas categorias do site.

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