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A Pólvora na Terra do Sol Nascente: A Introdução das Armas de Fogo no Japão Feudal

Prof. Esp. Douglas Magalhães Almeida

O uso da espada Katana e a figura do guerreiro samurai idealizado formam alguns dos principais símbolos referentes à natividade japonesa, o que por muitas vezes obscureceu o entendimento de como diversos outros elementos compõem a história militar nipônica. Hoje iremos falar sobre o papel das armas de pólvora no ambiente bélico do arquipélago.

Podemos afirmar que chama muita atenção nos estudos mais defasados sobre Japão, a concepção de que as armas de fogo foram introduzidas no século XVI e em menos de um século teria deixado de ser usada porque não era um estilo conveniente à forma de combater dos samurais, os quais teriam a característica da honra como essencial e seria incoerente o uso de pistolas, espingardas ou canhões quando de forma primária portariam uma espada Katana. Entretanto, esse argumento se mostra bastante frágil, ainda que bastante repetido mesmo em estudos, visto que leva em conta um fator está presente no ícone imaginário de que os guerreiros japoneses seguiriam um código de conduta baseado na honra, o Bushidô (que só foi padronizado em 1899, na contemporaneidade, pela obra de mesmo nome por Nitobe Inazô), e pensando que só haveria samurais como combatentes no Japão. Pois veremos que não foi bem assim.

O Japão já teve contato com armas de fogo desde suas relações com a China da Dinastia Song (960-1279), através de algumas poucas aquisições de canhões rústicos de ferro feitos na época chamados de Teppô (que significa literalmente, “canhão de ferro”), não havendo, contudo um uso contínuo ou extensivo por seu território. Mesmo em 1274 e em 1281 os japoneses chegaram a ter contato com armas de pólvora usadas pelas frotas mongóis vindas da Dinastia Yuan (1271-1368) chinesa que portavam as primeiras proto-granadas do leste asiático chamadas Zhen Tian Lei, ou Tetsuhau no idioma japonês, que eram bolas de cerâmica contendo pólvora e fragmentos de ferro, lançadas aos montes sobre o exército inimigo.

Apesar do contato com armas de pólvora, foi apenas em 1543 que houve uma mudança relevante, quando um navio junco chinês foi alvejado por uma intensa tempestade em alto-mar e veio naufragar ao sul do arquipélago em uma ilhota abaixo de Kyushu, chamada Tanegashima. Ali, dentre os marinheiros estavam alguns marujos portugueses que portavam arcabuzes, um equipamento primitivo de pólvora parecido com uma espingarda com fecho de pederneira, que ao ser ativado riscava uma faísca dentro da câmara do pó alquímico e gerava a explosão necessária para a propulsão do tiro.

O Daimyô da ilha, Lorde Tanegashima Tokitaka (1528-1579), teria presenciado os portugueses usarem as armas para caçar marrecos e se maravilhou com a possibilidade do uso na guerra que se entranhava no Japão. Chegou a ordenar que os ferreiros locais tentassem reproduzir as armas, com pouco sucesso por lhes faltar entendimento sobre as técnicas de metalurgia necessárias. Aos poucos, percebendo um bom local para comércio em vista do período de guerras entre províncias que o Japão atravessava, os portugueses passaram a vir com constância a fim de venderem essa mercadoria exótica que mudava o status quo da guerra samurai. Cerca de 300 mil armas de fogo foram manufaturadas em 10 anos desde então, conforme afirma Kôkan Nagayama.

As primeiras réplicas funcionais foram feitas pelo ferreiro de espadas do domínio, Yaita Kinbei Kiyosada, que no ano seguido à chegada dos portugueses recebeu instruções técnicas de um forjador de espingardas oriundo da colônia portuguesa de Malacca (de onde a maioria desses primeiros arcabuzes eram produzidos desde a colonização local em 1511). Devido a esse feito e ter sido parte do incentivo em disseminar o uso de armas de fogo no Japão, estas receberam o nome do lorde, passando a serem chamadas de Tanegashimas.

A primeira batalha conhecida a ter havido uso de Tanegashima produzida em solo japonês foi no Cerco ao Castelo de Kajiki, em 1549, quando o Clã Shimazu resolveu invadir a Província de Ôsumi. Desde então passou ser comum observar o uso tático dessa ferramenta bélica em diversos momentos da história japonesa.

Em sua obra Inventing the Way of the Samurai, Oleg Benesch nos apresenta como esse imaginário do samurai honrado vivendo pela espada gerou muitas pesquisas equivocadas sobre o conceito do “Bushido, o Caminho do Guerreiro”. Esse foi o resultado de uma constante mitificação acerca da guerra nipônica, e como tal não é raro encontrar autores afirmando que por sua inadaptabilidade cultural com armas de fogo, os levou a proibir esse estilo de combate e retornar ao uso tradicional da espada Katana como ferramenta principal de guerra.

Esse argumento se respaldou muitas vezes analisando eventos como quando em 1588 o segundo unificador do Japão, Toyotomi Hideyoshi proibiu o porte de armas por quaisquer pessoas que não tivessem privilégio samurai, em especial o de armas de fogo. Assim como, demandou que todas as províncias deveriam abolir o uso dessa ferramenta ocidental de guerra. Contudo, o que ocorreu não foi exatamente uma abolição do uso ou abandono das táticas com uso de pólvora para retomar uma “tradição virtuosa”, e sim uma forte restrição que legitimava que Hideyoshi confiscasse quaisquer canhões, tanegashimas, arcabuzes, etc, além de gerar maior controle na confecção e no uso, consolidando o poder do governo que constituía em suas conquistas territoriais. Em 1607, em vista dos confrontos finais que se concluíram no Cerco ao Castelo de Osaka e com objetivo de minar ainda mais a difusão das armas de fogo na guerra, o Seii Tai-Shôgun Tokugawa Hidetada, aconselhado por seu pai, Tokugawa Ieyasu, restringiu as manufaturas para serem permitidas apenas as reconhecidas pela burocracia do Shogunato, na condição de que sua produção seria tão somente para reforçar o Shogunato, sendo que uma das principais forjas conhecida até hoje fora a de Nagashima.

Ante aos acontecimentos históricos conseguimos perceber que houve não um afastamento do samurai do combate com pólvora, mas sim uma gradual restrição e controle do uso ao passo que se estabelecia uma centralidade no Estado japonês durante seu período feudal. Não à toa, o próprio Toyotomi Hideyoshi quando lançou sua campanha de invasão à Coréia em 1592, tinha em suas forças um quarto de combatentes armados com armas de fogo, além de preparo de artilharia com canhões. Por mais que seja difícil mensurar os dados de sociedades pré-contemporâneas, estima-se o uso de aproximadamente 160 mil atiradores, os quais foram tão bem sucedidos que em 18 dias foram capazes de conquistar do litoral de Busan até a Capital Real de Seoul, numa distância média de 338 km. Além de também citarmos que durante o cerco ao Castelo de Osaka pelos Tokugawas entre 1614-15, houve largo uso de canhões, estimando uma média de 17 importados da Europa e mais cerca de 300 de manufatura doméstica com os quais o castelo foi alvo de intenso bombardeio por três dias.

A utilização das ferramentas de guerra com o uso de pólvora certamente marcou uma revolução no modo de perceber a guerra pelos japoneses, e famosos samurais portaram pessoalmente como uma arma em combate junto à sua lança e katana, dentre eles Oda Nobunaga, Matsunaga Hisahide, Nakamura Kazu’uji e Date Masamune. Contudo, o guerreiro samurai é uma figura de status de privilégio que está mais ligado ao comando no campo de batalha do que combatendo á frente do exército. O uso de tropas de arco e flecha estava mais relegado a camponeses Ashigaru e Ji-Samurais de baixa estirpe do que aos principais nomes que comandavam, assim como também ocorria com a artilharia que manobraria canhões e arcabuzes. Essas tropas responsáveis pelo manuseio de armas de fogo eram chamadas de Teppogumi, se organizando de maneira a um grupo se ocupar com disparo enquanto outro ficava comprometido com a recarga.

Cabe a nós agora um importante apontamento: o Teppogumi não era relegado à “armas de menor virtude” como pode parecer apenas por virem de origem camponesa. Os Ashigaru e Samurais combatiam ambos com arcos e flecha, katanas e lanças (sendo que pra ambos o uso de espada sequer era comum fora de um combate corpo-a-corpo em espaço estreito, os diferenciando mais pelo porte simbólico da segunda espada Wakizashi do que por terem “direito de combater”), entretanto como o samurai estava relegado aos cargos de comando, eram os camponeses guerreiros que formavam a massa do exército com infantarias leves de arqueiros, artilharia de canhoneiros e arcabuzeiros, e a infantaria pesada de lanceiros. Como aponta Noel Perrin (1979), a fala do próprio Takeda Shingen em 1567 denota a questão de importância do uso dessas armas de fogo no exército, “Daqui em diante, as armas de fogo serão as armas mais importantes [na guerra], portanto diminua o número de lanceiros por unidade e faça com que meus homens mais capazes carreguem armas de disparo.”

A pólvora influenciou a manufatura de 11 tipos principais de equipamentos japoneses: o Ban-Zutsu, arcabuz de menor qualidade e usado mais extensivamente; o Tan-Zutsu, pistolas de pederneira parecidas com garruchas, que não serviam para campo de batalha, porém eram consideradas mais como símbolo de poder por samurais montados e por vezes eram usadas por alto-comandantes samurais para auto-defesa; Chu-Zutsu, um arcabuz de maior calibre (6-10 mm); O-zutsu, arcabuzes de calibre ainda maior (20mm ou mais), que eram mais próximos à ideia de bacamartes ou canhões de mão e eram usados como armas anti-cavalaria e em cercos, facilitando em explodir dobradiças de portões pesados; Hazama-zutsu ou Zama-Zutsu, arcabuzes de calibre menor do que os anteriores e capaz de seu disparo cobrir distâncias ainda maiores, servindo como equipamento defensivo para atirar das seteiras de castelos e navios; Bajô-zutsu, eram parecidas com as pistolas Tan-zutsu, mas com uma estrutura diferente, possuindo um barril mais longo e com facilidade de recarga, principalmente por ser usado por samurais montados; Kayaku-Dameshi, um pequeno cano de ferro para testar pólvora; Shateki-zutsu, um arcabuz com finalidade apenas para prática de tiro ao alvo; e o Taihô, o canhão propriamente dito. Sendo que nesse último caso houve uma adaptação para disparo de flechas de fogo, seja de um arquebus chamado Hiya-zutsu ou de um canhão, com aspecto de morteiro, chamado Hiya-Taihô.

Após 1615 com o estabelecimento da Pax Tokugawa, em que o Shogunato conseguiu finalizar suas conquistas de unificação e submeter ao seu poder a todos os rivais, as armas de fogo entraram em declínio por 200 anos no Japão, sendo pouco usadas mais do que para expôr como ornamentos de luxo à convidados célebres ou mesmo caçar alguns animais, sendo que ante aos éditos shogunais de restrição de seu uso e manufatura, cada vez menos passaram a ser vistas, além de que lembravam a cultura dos cristãos europeus que estavam sendo perseguidos desde 1635, à exceção dos ingleses e holandeses com os quais eram mantidas boas relações ultramarinas. O último grande evento de combate com ferramentas de pólvora foi durante a Rebelião de Shimabara, entre dezembro de 1637 e abril de 1638, quando com ajuda de navios canhoneiros dos holandeses, a força armada do Shogunato derrotou o considerado maior levante camponês durante os quase três séculos da Era Edo.

Somente no Período Edo Tardio, final do século XVIII, com as constantes tentativas dos navegantes europeus em romper o protecionismo da costa nipônica conhecido como Sakoku-rei, e assim abrir comércio entre o arquipélago e a civilização ocidental, é que houve um gradual retorno à forja e ao uso de armas de fogo. Com o contato imediato de boas relações do Shogunato com os holandeses, que se alojavam na ilha de Dejima em Nagasaki ao sul do império, adquiriram não só equipamentos de pólvora mais modernos do que os conhecidos com os portugueses, como também foram capazes de aprimorar suas táticas de defesa costeira e enfrentar uma potencial invasão colonizadora.

A relação japonesa com os holandeses foi para muito além do comercial, realizando constantes trocas intelectuais. Dali houve grande influência de um oficial do governo, Takashima Shûhan (1798-1866), para o Shogunato começar o treinamento de tropas que pudessem defender a Baía de Edo e as demais regiões do litoral contra os ocidentais hostis. Chegou a ser o primeiro samurai estudante de armas de disparo holandesas Geweer, e fez uma demonstração de manobras com uso de 125 homens, 4 canhões e 50 arcabuzeiros. O próprio ainda investiu na fabricação dos Fornos de Reverberação em Satsuma e Saga, em 1852, onde junto à Kagoshima, Saga e Chôshû, realizavam estudos de manufatura de armas ocidentais desde 1841.

Esses fornos de modelo holandês introduziram uma tecnologia de manufatura muito importante, chegando a serem utilizados de forma inovadora na produção de lâminas de espadas. Um oficial das províncias do sul inspirado por Shûhan, Egawa Hidetatsu Tarôzaemon (1801-1855), financiou a construção da forja de Narayama, na Península de Izu, com a qual armou a defesa da ilha de Odaiba, em 1853, que defenderia Edo no caso de um avanço ocidental.

Durante o declínio do Bakufu do governo Tokugawa estourou a Guerra Boshin (1868-1869) que culminaria na vitória dos samurais legalistas, a restauração do poder imperial e a crescente recriminação do shogunato. Durante esse momento já havia acontecido uma importante abertura do Japão para as relações com o ocidente, e da mesma maneira ferramentas de guerra bem mais modernas já haviam sido adquiridas de ambos os lados da guerra. Os ocidentais não assumiram lados fixos de apoio na guerra, ainda que os ingleses, holandeses e estadunidenses estivessem mais ao lado dos apoiadores do retorno imperial e os franceses e russos apoiando o Shogunato. Entretanto, toda essa situação díspar pouco poderia significar algo sobre o Ocidente se dividindo e assumindo partidos, já que os Tokugawas tinham acesso até mesmo à canhoneiras movidas a vapor compradas dos EUA, e o Daimyô de Nagaoka, aliado ao Shôgun, possuía 2 metralhadoras a vapor e centenas de rifles modernos.

O que podemos afirmar é que ainda haviam os arcabuzes primitivos de modelo tanegashima sendo utilizados no combate por ambos os lados, mas já havia introdução dos rifles de infantaria, como no caso do rifle francês Minié, usado principalmente pelas tropas imperiais por seu longo alcance e precisão letal. Sabemos que o Shogunato empregou cerca de 30 mil rifles Dreyse e 40 mil rifles Chassepot franceses de última geração. Na segunda metade do conflito, no cenário nordeste do arquipélago, o Daimyô da Província de Tosa empregou rifles de repetição Spencer, comprados dos estadunidenses, contra a infantaria de choque de elite do Shogunato, os Shôgitai, durante a Batalha de Ueno de Julho de 1868. Já no caso das tropas de Satsuma sabemos que também tiveram acesso às importações do escosês Thomas Blake Glover que trouxe pistolas populares da Smith & Wesson Army No 2, modelo de 1863.

A Restauração do Poder Imperial Meiji levou à contínua importação e manufatura de armas de guerra modernas do ocidente, de maneira que a própria espada katana aos poucos foi assumindo uma característica mais de um símbolo de tempos feudais, sumptuários e antiquados ao projeto de modernização pelo qual o Japão passava. Somente no momento mais militarista do Japão do século XX, durante as guerras contra a China e Rússia, é que o exército imperial Meiji retorna com a katana sendo portada por oficiais em uma reafirmação de cultura bélica tradicional e virtuosa em memória dos samurais.

Hoje em dia essas armas de fogo não são mais conhecidas pelo nome Tanegashima, mas sim Teppo ou Hinawajû, as quais encontram seu espaço em museus e antiquários, relembrando o período em que seu uso extensivo no arquipélago mudou a cultura bélica local. Ao contrário do que se pensa sobre o abandono de seu uso, mesmo nos dias atuais há uma arte marcial japonesa dedicada apenas à essa ferramenta de combate, o Hôjutsu, a Arte da Artilharia.

No Japão há pelo menos 10 escolas de Hôjutsu: a Inatomiryû, a Gekiryû, a Oginoryû, a Tanegashimaryû, a Tatsukeryû, a Sekiryû, a Bueryû, a Morishigeryû, a Yôryû e a Takashimaryû. A partir delas se formam os Grupos de Artistas Marciais Atiradores conhecidos como membros de uma Teppo Tai, os quais não apenas treinam como também manufaturam réplicas e conservam versões mais antigas. Dentre eles o grupo da Corporação de Armas de Fogo do Castelo de Matsumoto são os que mantém a maior coleção dos diversos tipos de teppo do antigo castelo de Edo.

O uso da pólvora na guerra do Japão Feudal é algo bastante retratado inclusive nos filmes Jidaigeki (gênero de época), em especial o cinema samurai Chanbara. Obras clássicas como Ran (1986), Os Sete Samurais (1954) e Yojimbo (1961), de Akira Kurosawa (1910-1998), trazem o aspecto das armas de pólvora com bastante eficácia em suas narrativas. Na história do cinema japonês aparecem geralmente atreladas ao conceito de presença e influência do ocidente no arquipélago, e também com a mácula dos costumes virtuosos samurais ou mesmo com a chegada de uma modernidade que brutalmente muda o campo de batalha. Envolvidos por uma aura crítica da relação entre o tradicional e o moderno, são as réplicas de arcabuzes e pistolas que trazem uma nova tônica ao debate. A própria obra antes citada, Yojimbo, traz um vilão que demarca sua posição em oposição ao protagonista ronin heróico e tradicional, ao enfrenta-lo com um revólver em punho.

Assim temos um novo quadro sobre a guerra japonesa, para além do corte de katanas e feridas causadas por lanças e flechas. A História do Japão também ficou marcada pela pólvora.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BENESCH, Oleg. Inventing the Way of the Samurai: Nationalism, Internationalism, and Bushido in Modern Japan. Oxford: Oxford University Press, 2014.

FRIDAY, Karl. Samurai, warfare & the state in early medieval Japan. London: Routledge, 2004.

KEEGAN, John. Uma História da Guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 1995

PERRIN, Noel. Giving up the Gun, Japan’s reversion to the Sword. Boston: David R. Godine, 1979.

TURNBULL, Stephen. The Samurai: A Military History. Bloomsbury Publishing, 1996.

WALKER, Brett. História concisa do Japão. São Paulo: EDIPRO, 2017.

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