O analista político Marc Saxer fez um breve análise sobre a Doutrina Donroe, ou seja, a atualização da Doutrina Monroe (1823) feita pelo presidente Donald Trump (2026).
Em termos geopolíticos podemos resumir que Trump busca reestabelecer a influência norte-americana sobre o Hemisfério Ocidental, deslocando a China.

Tarefa difícil, pois os chineses investiram fortemente na América Latina, enquanto os Estados Unidos abandonaram a região, relegando a um segundo plano político estratégico, permitindo a instalação de regimes rivais no continente.

Os investimentos chineses estão disseminados no setor de infraestrutura, comunicações, exploração de recursos minerais (terras raras e minerais estratégicos) e na produção industrial (na verdade as maquiadoras destroem as cadeias produtivas locais).

Sem maiores delongas vamos ao texto de Marc Saxer
Sobrecarregados pelos desafios nos três teatros centrais de conflito geopolítico – Europa, Leste Asiático e Oriente Médio – bem como por pressões fiscais e políticas internas, os Estados Unidos são forçados a fazer uma retirada estratégica. À medida que o debate entre primacistas, priorizadores e contendores continua, a Estratégia de Segurança Nacional de 2025, assim como as intervenções militares na Venezuela e no Irã, ilustram a direção estratégica da administração Trump. Há um consenso em todos os campos de que o “quintal” americano no Hemisfério Ocidental deve ser garantido como uma esfera exclusiva de influência na qual os Estados Unidos possam regenerar sua força. A recente retomada por Hegseth do perímetro de segurança secular da Grande América do Norte ressalta onde Washington localiza seus interesses vitais de segurança: da Groenlândia, no norte, ao Canal do Panamá, até os estados costeiros do Golfo da América ao norte do equador. A mudança de regime na Venezuela mostra que os Estados Unidos estão sérios em reviver a Doutrina Monroe e sinaliza a Moscou e Pequim que Washington não tolerará interferência externa em seu quintal. As ameaças de Trump de “tomar” Cuba, Groenlândia e o Canal do Panamá, tornar o Canadá o “51º Estado”, “atirar em alvos terrestres” no México e na Colômbia, e eliminar “regimes ilegítimos” como a Nicarágua, todas buscam o objetivo de garantir a supremacia americana na Grande América do Norte. Também há consenso de que os Estados Unidos devem transferir mais o peso da defesa convencional para seus aliados e exigir pagamentos de tributos mais altos para estabilizar seus orçamentos. No entanto, permanece uma forte controvérsia sobre como os Estados Unidos devem garantir seus interesses em suas esferas tradicionais de influência na Europa, Ásia Oriental e Oriente Médio. Os Primacistas, que atualmente têm vantagem em Washington, estão lutando para defender a supremacia americana a qualquer custo, inclusive por meio de guerra e mudanças de regime, se necessário. Os Resstringers, liderados pelo vice-presidente J.D. Vance, querem preservar a influência americana nas três regiões, mas rejeitam novas guerras e, em vez disso, tentam concentrar os escassos recursos na reconstrução do coração americano. Se a guerra contra o Irã terminar em um fracasso desastroso, o equilíbrio de poder em Washington pode mudar a favor dos restritores.